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Cerrado ameaçado, mas essencial à biodiversidade e à água no Brasil

Cerrado, crucial para biodiversidade e água do Brasil, enfrenta expansão agrícola e falhas legais que reduzem áreas protegidas e elevam riscos hídricos

The Cerrado in Correntina, Bahia, Brazil. Image courtesy of Thomas Bauer / Earthsight.
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  • O Cerrado é um ecodomínio que ocupa 24% do território brasileiro e já perdeu mais de 55% de sua vegetação nativa, principalmente nas últimas cinco décadas.
  • Já foram destruídos mais de um milhão de quilômetros quadrados de vegetação original, impulsionados pela expansão agrícola, urbanização, mineração e especulação fundiária.
  • O ecossistema abriga aproximadamente 90% do carbono armazenado em sistemas radiculares profundos, tornando o Cerrado um importante estoque de carbono e regulador de fluxos hídricos.
  • A biodiversidade é diversa, mas o Cerrado é composto por gradientes de grasslands, savanas e florestas; a pressão de mineração, monocultivos, vias de transporte e fogo humano fragilizam a funcionalidade do ecossistema.
  • Existe uma dissociação entre lei ambiental e realidade, com apenas 8% do ecodomínio protegidos e menos de 3% sob proteção total; há necessidade de ampliar áreas protegidas e rever parâmetros legais para conservar água e biodiversidade.

O Cerrado, principal ecossistema brasileiro, enfrenta pressão crescente de agricultura intensa e conversão de terras. Apesar de abrigar bacias hidrográficas importantes e ocupar 24% do território, mais da metade da vegetação nativa já foi perdida, principalmente nas últimas cinco décadas.

Estudo publicado na revista Nature Conservation revela que mais de 55% da vegetação nativa do Cerrado já foi removida. A área devastada é superior a 1 milhão de km², tamanho maior que França e Alemanha juntos, com tendência histórica de avanço da ocupação por lavouras, mineração, expansão urbana e especulação.

O Cerrado invertido

O ecossistema concentra cerca de 90% do carbono em sistemas radiculares profundos, tornando-o elo-chave no estoque de carbono e no regime de água. Iniciativas de reflorestamento com espécies exóticas podem comprometer processos ecológicos locais.

Diversidade e desafios de conservação

O Cerrado não é uniforme: graminóides, savanas e florestas formam uma mosaic. A transformação para monocultivos e pastagens exóticas reduz a integridade funcional, especialmente em campos rupestres montanos com alto endemismo. Correntes de água e corredores ecológicos sofrem impactos de obras viárias.

Falta de monitoramento e extinções invisíveis

Há lacunas no conhecimento sobre muitas espécies, especialmente plantas e invertebrados. A proteção baseada em dados incompletos pode falhar, já que organismos críticos nem sempre são bem monitorados ou descritos pela ciência.

Risco hídrico nacional

A erosão do Cerrado compromete a segurança hídrica do país. Irrigação, contaminação por agroquímicos e barragens reduzem o fluxo de rios e afloramentos de veredas, afetando zonas molhadas essenciais para regulação de água.

Descompasso entre lei e ecologia

Existem 706 unidades de conservação, mas apenas 8% do Cerrado estão protegidos e menos de 3% com proteção integral. Instrumentos como RPPN e zonas de transição não compensam as deficiências legais. O Código Florestal não acompanha o ritmo dos processos ecológicos.

Desafios legais e territoriais

Historicamente houve expulsão de povos indígenas de terras tradicionais, acelerada pela construção de Brasília e pela expansão agroindustrial. O Marco Temporal dificulta o reconhecimento de novas terras indígenas no Cerrado, impactando a proteção de ecossistemas.

Para evitar colapso ambiental e garantir a segurança hídrica, é necessária revisão de parâmetros legais, aumento de áreas protegidas e mecanismos de rastreabilidade que desvinculem produção agrícola da perda de habitats.

Autoria: Cássio Cardoso Pereira, Walisson Kenedy-Siqueira (UFMG); Domingos de Jesus Rodrigues (UFMT); Rodolfo Salm (UFPA); Philip Martin Fearnside (INPA).

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