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Irradiação elimina resíduos de antidepressivo que contaminam a vida aquática

Irradiação por feixe de elétrons degrada fluoxetina na água, reduzindo toxicidade para peixes e abrindo caminho para uso em estações de tratamento

Fotografia de um cardume de peixes.
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  • Pesquisadores do Ipen e da USP testaram a irradiação por feixe de elétrons para eliminar a fluoxetina em água.
  • O método degradou a fluoxetina e o surfactante, reduzindo a toxicidade da solução em ensaios ecotoxicológicos.
  • A radiólise, que ocorre quando a radiação atinge a água, gera radicais reativos que quebram as moléculas dos fármacos.
  • A degradação ocorreu tanto isoladamente quanto em mistura, com mineralização parcial e formação de subprodutos menos tóxicos.
  • O Ipen possui unidade móvel com acelerador de elétrons, o que facilita testes em estações de tratamento; a técnica já é estudada em outros países e tem potencial de aplicação.

A técnica de irradiação por feixe de elétrons foi aplicada para eliminar resíduos de fluoxetina na água, em estudo realizado por pesquisadores do IPEN e da USP. O objetivo é reduzir a toxicidade que esses resíduos trazem a peixes e a outros organismos aquáticos. A pesquisa analisa o uso de radiação ionizante para degradar o fármaco.

Os trabalhos foram desenvolvidos com testes experimentais que utilizam um acelerador de elétrons. Ao incidirem sobre a solução aquosa, formam radicais reativos que atacam e degradam as moléculas da fluoxetina e de um surfactante associado. A abordagem insere-se nos processos oxidativos avançados.

Como funciona a técnica

Quando a radiação atinge a água, ocorre a radiólise, que quebra ligações químicas e gera espécies reativas capazes de degradar moléculas orgânicas. O método demonstrou eficiência na remoção dos compostos, tanto isoladamente quanto em mistura com o surfactante.

Resultados observados

Os testes mostraram queda significativa da concentração dos contaminantes e redução da toxicidade, avaliada por ensaios ecotoxicológicos. Apesar da degradação, a mineralização total não foi alcançada, sugerindo formação de subprodutos com toxicidade menor que a mistura original.

Potencial de aplicação

O estudo aponta alto potencial para uso em estações de tratamento de efluentes e esgoto. O IPEN, vinculado à CNEN, dispõe de uma unidade móvel com acelerador de elétrons para avaliação em fluxo contínuo em estações de tratamento.

Contexto internacional

A técnica já é estudada e utilizada em países como Coreia do Sul, China, Japão e seleção de nações europeias, especialmente no tratamento de efluentes industriais e remoção de micropoluentes. Dados internacionais apontam viabilidade, segurança e escalonabilidade.

Equipe e fontes

O trabalho envolve pesquisadores do IPEN e da Poli-USP, sob coordenação de Sueli Ivone Borrely, com participação de Flavio Kiyoshi Tominaga, Roberta Nunes e Vanessa Granadeiro Garcia. O artigo está disponível para leitura na revista científica correspondente.

Mais informações podem ser solicitadas pelo contato do pesquisador citado. Este conteúdo foi publicado originalmente pelo Jornal da USP.

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