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agropecuária regenerativa avança no Brasil, mas desmatamento persiste

Regeneração avança em Mato Grosso, mas desmatamento persiste, enquanto planos públicos e privados buscam recuperar pastagens degradadas

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  • Em Mato Grosso, a fronteira entre Amazonas e Cerrado avança com soja, mas há avanço de práticas regenerativas em meio a pressões de desmatamento.
  • O programa REVERTE, liderado pela Syngenta e The Nature Conservancy, oferece empréstimos e suporte técnico para recuperar pastagens degradadas, com meta de recuperar até mil hectares de pastagens até 2030.
  • A fazenda da família Biancon, em Itaúba, aderiu ao REVERTE e já vê melhoria do solo, permitindo cultivar algodão, milho e soja em cerca de quarenta e cinco mil hectares.
  • Até o início de 2026, o REVERTE já restaurou quase 281 mil hectares, com financiamento superior a 396 milhões de dólares; o programa visa evitar desmatamento adicional em áreas de pastagens degradadas.
  • Desmatamento no Brasil é impulsionado principalmente pela criação de gado; o Cerrado tem dezenas de milhões de hectares degradados, com planos públicos de restauração de até quarenta milhões de hectares até 2033, mas dúvidas sobre escala, governança e continuidade persistem.

In Mato Grosso, o coração agrícola do Brasil, larguras de floresta amazônica e do Cerrado cedem lugar a vastas áreas de soja. A fronteira agrícola avançou desde os anos 1970, impulsionada por políticas públicas e subsídios que incentivaram o desmatamento e a expansão da produção.

Hoje, a atividade enfrenta ganhos de produtividade com práticas regenerativas, mas o desmatamento persiste em ritmo menor, alimentado pela demanda global por carne e soja. Governo, sociedade civil e setor privado buscam restaurar até 40 milhões de hectares de terras degradadas como caminho para reduzir a pressão sobre florestas.

Ivan Biancon, co-proprietário de um grupo familiar em Itaúba, afirma ter visto a terra se recuperar desde que aderiu ao programa REVERTE, voltado para restauração de pastagens degradadas. A propriedade soma 45 mil hectares e emprega cerca de 250 pessoas.

REVERTE e o papel do financiamento verde

A iniciativa, desenvolvida pela Syngenta e The Nature Conservancy com apoio do Itaú BBA, visa recuperar 1 milhão de hectares até 2030. Em 2026, já haviam sido revertidos 281,8 mil hectares, com financiamentos acima de 396 milhões de dólares. O programa oferece empréstimos de longo prazo e suporte técnico.

Criterioso no monitoramento, o REVERTE utiliza imagens de satélite para evitar novas áreas desmatadas. O objetivo não é reflorestamento, e sim impedir o avanço da retirada de vegetação nativa, assegurando que as pastagens degradadas voltem a produzir. A projeção de benefícios abrange biodiversidade, água e emissões.

Desafios e perspectivas para a restauração

Especialistas destacam que a recuperação de pastagens degradadas exige tempo e capital estável. Embora o programa tenha potencial, a continuidade após o término de 10 anos permanece incerta, o que levanta dúvidas sobre a manutenção dos ganhos de produtividade sem expansão adicional.

O Estado de Mato Grosso continua sendo exemplo de inovação tecnológica na agricultura tropical. A Embrapa aponta significativos aumentos de produtividade de grãos entre 1970 e 2020, impulsionados por práticas como a plantação sem revolvimento do solo e o uso de sementes de ponta.

Questões de governança e demanda externa

A derrubada de florestas no Cerrado e na Amazônia ainda responde a pressões de expansão agropecuária, embora o ritmo tenha caído. A fiscalização por parte de órgãos ambientais e a implementação de políticas públicas mais restritivas são temas centrais para reduzir o desmatamento.

A conversa sobre financiamentos e mecanismos de convivência entre produção e conservação ganha espaço, com a visão de que a agricultura pode ser parte da solução, desde que haja governança firme e compromissos privados vinculantes.

Caminhos mais amplos para o futuro

Enquanto o Brasil mira expansão sustentável, especialistas ressaltam a necessidade de políticas que desestimulem a expansão desordenada e incentivem compra de produtos provenientes de áreas preservadas. A cooperação entre setor público e privado é vista como essencial para manter a produção sem sacrificar florestas.

A trajetória brasileira também envolve mecanismos de financiamento verde e inovação tecnológica, que podem aumentar a resiliência de produtores diante das mudanças climáticas e melhorar a eficiência no uso de insumos e água.

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