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Comércio para usos de crenças empurra abutre-de-capuz à extinção no Benim

Venda ilegal de partes de abutres-de-capuz em Benim alimenta prática vodun, com demanda crescente que pode levar à extinção da espécie

Hooded vultures are small, scruffy-faced vultures native to sub-Saharan Africa.
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  • Em Benim, pesquisa de 2023 identificou comércio ilegal de abutres-ocidentais (hooded vulture) em nove mercados, com mais de 522 aves à venda durante quatro meses.
  • Dos itens, 383 eram carcaças secas, 90 cabeças e cerca de 10% eram aves vivas.
  • Partes vendidas incluem fígado, coração, penas e pés; alguns compradores buscam supostos poderes, usados também na medicina tradicional.
  • Os preços variavam de 7 mil a 500 mil francos CFA por cabeça e live bird, com origem de aves de Benim e de outros países da região.
  • Cientistas alertam que a população da espécie é crítica e vem declinando rapidamente, com risco de extinção caso a demanda continue; leis contra caça e comércio são pouco aplicadas.

O abutre-dormitiba, o Vulture Hooded, vive próximo de comunidades humanas na África ocidental, especialmente em Benin. Pesquisas mostram que a pressão de uso fetichista, artesanal e de consumo de carne de animais facilita a captura e o comércio ilegal dessas aves. O comércio alimenta um mercado regional, com impactos diretos na população da espécie.

Estudos recentes apontam que a prática, ligada a crenças religiosas locais, usa partes de aves para rituais de sorte, proteção e curas medicinais. A procura envolve partes como cabeça, fígado e penas, além de aves vivas para comércio. Cientistas observam que a demanda tem crescido nos últimos anos.

Panorama da investigação em Benin

Em 2023, Nico Arcilla e equipe mapearam a escala do tráfico nos mercados do sul de Benin, entrevistando mais de 150 vendedores em nove mercados. Os pesquisadores registraram 522 abutres à venda, sendo 383 cadáveres secos, 90 cabeças e cerca de 10% aves vivas.

Parte das aves é comprada para uso direto ou para extração de partes específicas para fins supostamente mágicos ou medicinais. Pesquisadores destacam que a prática não se restringe a Benin, abrangendo também mercados da região oeste e central da África.

Origem e economia do comércio

Dados mostram que as aves vêm de várias linhas de abastecimento: cerca de 25% do Benin, quase 60% de Ghana, Burkina Faso, Nigéria e Níger, com remessas adicionais de Cameroon, Côte d’Ivoire, Gabão, Guiné, Mali e Togo. Os preços variam de 7 mil a 500 mil FCFA, dependendo da parte vendida ou da condição da ave.

Grande parte dos vendedores atuava como feiticeiros ou sacerdotes, em sua maioria pertencentes ao grupo étnico Fon. A prática envolve mercados de fetiche, onde cabeças são entre as peças mais cobradas pelos compradores.

Situação ecológica e impactos

Pesquisa de 2024 em Benin indicou apenas 52 Hooded vultures após percorrer quase 1,5 mil quilômetros de rodovias; resultados indicam que a espécie pode desaparecer das regiões estudadas nas próximas duas décadas se não houver intervenção. A diminuição afeta a função ecológica de limpeza de carcaças e controle de patógenos.

Autores ressaltam que a caça e o envenenamento, combinados à perda de hábitats, aceleram o declínio. Em Benin, já houve extinção local da espécie em áreas do sul do país, segundo relatos de pesquisadoras. Os impactos vão além da biologia, afetando cadeias alimentares e a saúde pública.

Legislação e medidas propostas

A venda de abutres é ilegal em Benin, com punições previstas por lei que incluem detenção e multas. No entanto, autoridades reconhecem fiscalização fraca e percepção de que o tráfico é lucrativo o bastante para superar as sanções. Pesquisadores defendem ações educativas e reforço de fiscalização para reduzir a demanda.

Especialistas afirmam que mudanças urgentes são necessárias para evitar o colapso de populações. A adoção de mecanismos de monitoramento, fiscalização mais efetiva e campanhas de conscientização para o público e fornecedores são apontadas como medidas cruciais.

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