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Compost, guaxinins e predação de tartarugas marinhas na Costa Rica

Compostagem inadequada atrai guaxinins e prejudica ninhos de tartarugas em Las Baulas, Costa Rica; estudo indica necessidade de compostagem formal e lixeiras seguras

Leatherback sea turtle hatchlings head to sea. Image by US Fish and Wildlife Service via Wikimedia Commons/ Animalia.
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  • Estudo na província de Guanacaste, Costa Rica, relaciona descarte inadequado de resíduos orgânicos a queda de ninhos de tartarugas leopardo em Las Baulas, parque marinho estratégico para a espécie.
  • Aumento da urbanização desde 1990 até 2024 coincide com maior interação entre pessoas e áreas de desova, conforme imagens de satélite e dados locais.
  • Câmeras de monitoramento mostraram que guaxinins são responsáveis pela maioria das ações de alimentação de lixo (84%) e predadores de ninhos (91%).
  • Propostas para reduzir o problema incluem compostagem mais formal, lixeiras resistentes a guaxinins e educação ambiental para a população.
  • Pesquisadores destacam o paradoxo entre o branding verde do país, o turismo ecossustentável e a infraestrutura que atrai mais gente, reforçando a necessidade de gestão adequada do comportamento humano.

O estudo, realizado na província de Guanacaste, Costa Rica, revela que o manejo inadequado de resíduos orgânicos pode reduzir populações de tartarugas marinhas. A pesquisa acompanhou a relação entre compostagem, lixo urbano e predação de ninhos em Las Baulas Marine National Park.

Keilor Cordero, autor principal e doutorando da Menéndez Pelayo International University, conduziu análises que ligam o aumento do lixo orgânico a partir da urbanização ao comportamento de animais que consomem restos e atacam ninhos de tartarugas. Dados de campo reforçam a conexão entre resíduos e predadores.

O parque, criado em 1991 para proteger uma das principais áreas de nidificação da tartaruga-laúd Dermochelys coriacea, recebe investimentos de infraestrutura para ecoturismo. A atividade econômica depende do turismo sustentável e da conservação das praias.

A pesquisa utilizou imagens de satélite para mapear o crescimento urbano entre 1990 e 2024 e câmeras de armadilha para registrar interações entre animais e resíduos. Mostra que a maioria dos lixos orgânicos é mal armazenada e acessível a nômades urbanos.

Segundo o estudo, guaxinins foram responsáveis por 84% dos alimentos encontrados em lixo e 91% dos ataques a ninhos. Os dados indicam que animais encontram oportunidades de alimentação por causa de recipientes inadequados para resíduos orgânicos.

A pesquisa destaca um paradoxo da sustentabilidade: ao atrair pessoas e infraestrutura para o ecoturismo, aumenta-se o risco para a fauna local. A gestão deficiente de resíduos cria um elo entre urbanização e predação de ninhos.

Especialista externa, a bióloga marinha Christine Figgener, não participou do estudo, mas sustenta que a conservação depende da gestão da interface entre pessoas e ecossistemas. O trabalho reforça esse conceito de forma prática.

Cordero aponta caminhos para reverter o problema: compostagem mais formal, recipientes à prova de racoons e campanhas educativas. O pesquisador enfatiza que a identidade de Costa Rica como país verde pode ser fortalecida por ações coletivas eficazes.

Embora a situação exija continuidade de pesquisas, o estudo sugere que iniciativas simples, alinhadas ao turismo responsável, podem promover ganhos para a conservação das tartarugas. O objetivo é reduzir a alimentação indevida de predadores por resíduos mal geridos.

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