Em Alta NotíciasConflitosPessoasAcontecimentos internacionaiseconomia

Converse com o Telinha

Telinha
Oi! Posso responder perguntas apenas com base nesta matéria. O que você quer saber?

Desmatamento de palma avança no habitat de orangotangos Bornéu, apesar de alertas

Desmatamento avança em reserva de biosfera Betung Kerihun–Danau Sentarum, elevando o risco de fragmentação do habitat do orangotango e conflitos com comunidades Dayak

Photo
0:00
Carregando...
0:00
  • ESR derrubou um total de três mil e sessenta e três hectares dentro de sua concessão de óleo de palma em Kapuas Hulu, West Kalimantan, até o final de 2025, com mais 1.492 hectares derrubados entre outubro e dezembro de 2025.
  • A área da concessão se sobrepõe ao corredor Labian–Leboyan, parte da cerva biosfera Betung Kerihun–Danau Sentarum, dentro de uma reserva reconhecida pela UNESCO e habitat de orangotangos.
  • Autoridades indonésias reconhecem a presença de habitat de orangotangos na área, mas ainda não há planos oficiais para interromper as derrubadas; há questões sobre licenças (HGU) e sobre se áreas de turfeira estão sendo corretamente motoradas.
  • Povos indígenas Dayak relatam conflitos de terras: algumas comunidades chegaram a acordo com ESR para arrendamento de parte de suas terras, enquanto outras rejeitaram; houve divisão interna em Labian envolvendo 14 indivíduos.
  • Grupos ambientais alertam para fragmentação de habitat e impactos na cadeia de abastecimento; ESR é ligada ao First Borneo Group, que figura em listas de fornecedores e levanta críticas sobre monitoramento e cumprimento de políticas de zero desmatamento.

O manejo de áreas de floresta na ilha de Borneo continua a avançar com a expansão de plantações de óleo de palma em áreas reconhecidas como habitat de orangotangos, segundo imagens de satélite e fontes oficiais. A empresa PT Equator Sumber Rezeki (ESR) intensificou o desmatamento dentro de uma concessão de 15 mil hectares em Kapuas Hulu, West Kalimantan, no bioma designado como Biosfera Betung Kerihun–Danau Sentarum.

Análises independentes apontam que o ritmo de desmatamento ganhou velocidade no último trimestre de 2025, elevando a área total derrubada pela ESR para 3.063 hectares dentro da concessão. O levantamento anterior já indicava 1.376 hectares desmatados entre janeiro e agosto de 2025, com mais 1.492 hectares derrubados de outubro a dezembro, totalizando o patamar atual. A área coincide com o corredor de habitat Labian–Leboyan, conectando os parques Betung Kerihun e Danau Sentarum.

A área de ESR cruza o corredor ecológico que sustenta diversas espécies, entre elas o orangotango de Borneo, classificado como criticamente ameaçado. A reserva inclui também parques nacionais reconhecidos pela UNESCO e comunidades indígenas Dayak que dependem do ecossistema para água, alimento e práticas culturais. Autoridades e organismos não governamentais acompanham a situação com avaliações de habitat orangotango e monitoramento de impactos.

Permissões e fiscalização

A gestão do parque confirmou a presença de habitat de orangotangos dentro da concessão, mas não apresentou planos para interromper ou pausar as atividades de desmatamento. Relatos indicam propostas para designar bolsões de habitat fora da concessão como áreas de preservação, com bolsões internos classificados como alto valor de conservação (HCV). A efetividade dessas medidas depende de acordos com a empresa e de possíveis certificações de cadeia de suprimentos.

A ONG Satya Bumi aponta falhas no sistema de licenciamento de plantações, destacando que a maior parte da área da concessão overlaps com habitat de orangutango. Observa ainda que o HCV, quando bem implementado, pode beneficiar a fauna, desde que haja conectividade com florestas protegidas e não apenas conformidade formal com percentuais mínimos.

A LinkAR Borneo levanta questões sobre a legalidade das operações, incluindo a inexistência de um HGU, documento final de autorização de cultivo, em determinados trechos da concessão. Em conversas com autoridades locais, houve menção de pendências e a necessidade de coordenação com o governo central para ações de fiscalização e regularização.

Impacto ambiental e social

ONGs alertam que o desmatamento pode intensificar fragmentação de habitat e conflitos entre humanos e vida silvestre, com consequências para populações de orangotangos, cuja contagem estimada no país caiu drasticamente desde 1999. Além do impacto biológico, o fechamento de áreas de floresta ameaça formas de vida das comunidades Dayak e seus meios de subsistência.

A empresa mãe, First Borneo Group, é alvo de listas de compra de traders de óleo de palma, segundo campanhas de organizações ambientais. A rede de fornecimento envolve diversos produtores e processadores, o que aumenta a complexidade da rastreabilidade e o risco de produtos ligados ao desmatamento entrarem no mercado global, a menos que haja regulamentação mais rígida e aplicação efetiva de políticas de não desmatamento.

Organizações locais defendem que ações concretas de proteção de habitat sejam adotadas pela gestão pública e pela ESR, incluindo realocação, restrição ou devolução de partes da área licenciada. Enquanto isso, autoridades responsáveis não divulgaram respostas conclusivas sobre medidas imediatas.

Comentários 0

Entre na conversa da comunidade

Os comentários não representam a opinião do Portal Tela; a responsabilidade é do autor da mensagem. Conecte-se para comentar

Veja Mais