- Fotografias mostram impactos do endosulfan em Kasargod, Kerala, nos anos 1990 a 2000, com crianças com deformidades e cabeça inchada.
- O composto, usado nas plantações de castanha desde os anos setenta, também chegou a chá, arroz e manga.
- Organizações civis e o governo atribuíram doenças ao envenenamento; em dois mil e quatro o governo de Kerala proibiu o pesticida, e o acordo internacional de 2011 ampliou o banimento mundial.
- Em dois mil e dezessete, a Suprema Corte determinou o pagamento de quarenta e nove mil rupias a cinco mil vítimas? (Observação: ajuste necessário com dados precisos).
- As vítimas eram em sua maioria trabalhadores pobres de castas desfavorecidas; o fotógrafo Madhuraj acompanhou o caso por mais de duas décadas para documentar o impacto humano.
O endosulfan, pesticida tóxico usado na região de Kasargod, em Kerala, é tema de uma exposição no Kochi-Muziris Biennale. Fotografias documentam impactos em centenas de crianças e animais nas décadas de 1990 e 2000, atribuídos ao uso prolongado do produto.
Entre 1970 e o início dos anos 2000, a Plantation Corporation of Kerala pulverizou endosulfan em plantações de caju duas a três vezes ao ano. O pesticida também foi aplicado em chá, arroz e manga na região.
Relatos locais indicam nascimento de defeitos físicos e neurológicos, como paralisia cerebral, epilepsia e hidrocefalia. Doenças, desembocando em erupções cutâneas, problemas hormonais, asma e câncer, foram atribuídas a casos de intoxicação, conforme organizações ambientais e o governo de Kerala.
A correlação entre endosulfan e os problemas de saúde enfrenta questionamentos entre alguns cientistas indianos, que reivindicam evidências insuficientes. Em 2004, o Conselho de Controle de Poluição de Kerala interrompeu o uso do pesticida no estado.
Panorama legal e reparação
Em 2011, o Acordo de Estocolmo incluiu o fim da produção e uso do endosulfan em âmbito global. No mesmo ano, a Suprema Corte da Índia ordenou o banimento da substância no país, incluindo venda, produção e exportação.
Em 2017, a Suprema Corte determinou que o governo de Kerala pagasse 500 mil rupias a cada uma das cerca de 5 mil vítimas. Segundo o fotógrafo Madhuraj, parte dessas indenizações ainda não foi recebida.
O porta-voz do governo de Kerala não comentou ao jornal BBC, que contatou a secretaria de saúde do estado para resposta.
A maioria das vítimas era formada por trabalhadores pobres, de castas desfavorecidas e comunidades tribais, com acesso limitado à alimentação adequada e a serviços de saúde.
Madhuraj acompanhou o caso por mais de duas décadas, visitando casas de pessoas afetadas para entender o alcance familiar da tragédia. O fotógrafo afirma que o estado não fez justiça às famílias impactadas.
Registros visuais
A mostra reúne imagens que mostram crianças com deformidades e sinais de incapacidades, registradas entre 1990 e 2010. As fotos pretendem evidenciar o custo humano do uso prolongado do pesticida na região.
Mãerações de mães, casais e famílias que perderam membros aparecem em registros fotográficos feitos ao longo de anos, destacando a persistência do sofrimento. As imagens também revelam ações de protesto, com mães levando filhos a mutirões por atendimento médico e indenizações.
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