- No Dolpo, Nepal, a criação de yaks domesticados enfrenta queda devido a custos, mudança climática, mercados limitados e doenças, com Lama tendo apenas quatro yaks hoje.
- A migração de jovens para cidades agrava a falta de mão de obra, e o fechamento das travessias Dolpa-China prejudica pastagens e venda de queijo e lã.
- Mudanças climáticas afetam ecossistemas de alta altitude, alterando água, vegetação e carbono no solo, aumentando riscos de incêndios em áreas úmidas e perto de glaciares.
- Existe risco de cruzamento entre yak selvagem (Bos mutus) e domesticado, o que pode comprometer a pureza genética e a sobrevivência das manadas silvestres.
- Espera-se ações de conservação com criação de refúgio de habitat para yak selvagem, manejo comunitário das pastagens e medidas locais e nacionais para proteger a espécie.
Na região de Dolpo, no oeste do Nepal, o manejo de nagton, as yak domesticas, mudou bastante nas últimas duas décadas. Em Vijer (Tra), Dolpa, a moradora Youngdung Jhama Lama relata que hoje possui apenas quatro yaks, frente a uma criação que já foi bem maior.
As dificuldades vão além do número de animais. A elevação de custos, mudanças climáticas, mercados locais fracos para produtos de yak e doenças frequentes complicam a criação móvel, prejudicando tanto os yaks domésticos quanto os silvestres Bos mutus.
A suspensão de travessias como Morimla e Kato na fronteira Dolpa-China, após a pandemia, agrava o cenário. Sem acesso a pastagens de fronteira, muitos produtores passaram a vender seus animais ou migraram para criações de gado e cabras, aumentando o risco de superpastejo.
Dados de migração interna mostram redução do rendimento humano nas áreas de montanha, com mais pessoas deixando a região em busca de oportunidades. Ao mesmo tempo, o recurso água e umidade tornaram-se menos previsíveis, afetando pastagens e a disponibilidade de forragem.
Especialistas em saúde animal e ecologia alertam para impactos tanto em yaks domésticos quanto nos silvestres. A redução de áreas de pastagem, alterações climáticas e possíveis cruzamentos entre yaks domesticados e selvagens ganham relevância para a conservação genética e manejo do ecossistema de rangelos.
Conservação e cruzamento genético
Pesquisadores destacam que o estreitamento de áreas de pastagem pode forçar encontros entre populações, elevando o risco de cruzamentos. Calcanhares de manejo podem afetar traços adaptativos e a sobrevivência em altas altitudes, segundo estudos na região.
Para a comunidade local, a conservação depende de ações integradas. Estabelecer um refúgio habitacional para iaru yak selvagem pode reduzir encontros com rebanhos domesticados e manter a integridade genética, segundo especialistas.
Além disso, a diversificação de atividades, com manejo mais eficiente de ovelhas e cabras, tem sido considerada por alguns criadores como alternativa para reduzir a pressão sobre as yak, mantendo a renda local enquanto se preservam ecossistemas de rangelos.
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