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Fazendas europeias sofrem com guerra no Irã, agricultores regenerativos previram

Com a guerra no Irã, o fornecimento de fertilizantes fica em risco e os preços sobem; fazendas regenerativas mostram resiliência ao reduzir dependência de insumos importados

Sheila Darmos is a third-generation farmer and social entrepreneur at The Southern Lights non-profit and Regenerative Farming Greece.
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  • A crise causada pela guerra no Irã ameaça o fornecimento de fertilizantes e eleva os preços de energia, impactando a agricultura europeia, embora nem todas as fazendas estejam igualmente vulneráveis.
  • Fazendas regenerativas dependem menos de fertilizantes sintéticos importados, mantendo rendimentos semelhantes a custos bem menores, com compostagem, dejetos animais, manejo rotacional e culturas de cobertura.
  • Na prática, fazendas na Europa mostram ganhos: Sheila Darmos, na Grécia, e Meghan Sapp, no País Basco, implementam sistemas circulares que geram nitrogênio no solo; Yanniek Schoonhoven, na Espanha, usa vermicompost e plantas fixadoras de nitrogênio.
  • A adoção da agricultura regenerativa é ainda baixa: cerca de 2% das fazendas são completamente regenerativas e 5% a 10% estão em transição; mudanças dependem de políticas, incentivos e investimentos.
  • Em tempos de crise, a regeneração do solo e a produção local ajudam a reduzir impactos de choques de combustível e a proteger a produção, com algumas fazendas usando energia solar para maior independência.

A guerra no Irã ameaça o abastecimento de fertilizantes e eleva os preços de combustíveis, impactando a agricultura europeia. Enquanto alguns produtores veem o cenário como um alerta, outros já colhem benefícios de métodos regenerativos que reduzem a dependência de insumos importados. A mudança pode influenciar custos, produção e meio ambiente nos próximos meses.

Fazendas regenerativas tendem a depender menos de fertilizantes sintéticos, mantendo rendimentos semelhantes a custos menores. Esses sistemas aumentam a fertilidade do solo com compostagem, esterco, rotacionar entre culturas e culturas de cobertura. O enfoque é construir solo saudável, reduzir poluição e ampliar a biodiversidade, além de contribuir para a saúde pública.

O bloqueio do Estreito de Hormuz interrompe cerca de um terço do comércio mundial de fertilizantes, ao passo que o transporte de petróleo, importante para a produção de fertilizantes nitrogenados, também fica afetado. Especialistas afirmam que crises de combustíveis revelam a vulnerabilidade da agricultura convencional, fortemente ligada a fertilizantes sintéticos.

A necessidade de fertilizantes sintéticos é questionada por produtores que migraram para a regenerative agriculture. Em média, pesquisas indicam queda de até 61% no uso de nitrogênio sintético e redução de 75% no uso de pesticidas. Pesquisadores destacam que a produção recente de nitrogênio depende de fontes fósseis, o que aumenta a exposição a oscilações de preço.

Na Grécia, Sheila Darmos, numa fazenda de terceira geração, utiliza práticas como permacultura, agricultura sintrópica e agroflorestas. A propriedade gera nitrogênio naturalmente, sem importação de fertilizantes sintéticos, por meio de plantas fixadoras de nitrogênio e manejo do solo com resíduos vegetais.

Na Espanha, na região Basca, a agricultora Meghan Sapp administra um sistema circular. A compostagem vem de cama de animais, resíduos domésticos e de jardim, junto com cultivo de favas que fixam nitrogênio, seguido do decomposição no solo para reforçar a fertilidade.

Na La Junquera, em Murcia, Yanniek Schoonhoven observa biodiversidade retomando espaço onde havia ausência de insetos e aves. Em vez de fertilizantes inorgânicos, a fazenda aposta na vermicompostagem e em tratamentos de folhagens para enriquecer o solo. O resultado é um ecossistema que reduz pragas.

Embora haja benefícios, a adoção da agricultura regenerativa ainda é lenta na Europa. Estima-se que apenas cerca de 2% das fazendas sejam totalmente regenerativas, com 5-10% em transição, conforme relatório da Nature. Barreiras vão desde custos iniciais até a disponibilidade de treinamento e financiamento.

Alguns agricultores destacam a necessidade de apoio institucional. Políticas públicas, incentivos e investimentos devem reconhecer e remunerar práticas que regenerem terras e comunidades. O CAP da União Europeia concede incentivos, mas pode enfrentar cortes orçamentários entre 2028 e 2034, limitando o acesso aos benefícios.

Resultados de pesquisa sugerem que as fazendas regenerativas mantêm produtividade perto das tradicionais, com queda marginal de produção e redução de insumos. Em tempos de crise, a resiliência econômica e climática dessas propriedades é apontada como um de seus principais ganhos.

Programas de capacitação da UE, via EIT Food, oferecem cursos gratuitos para transição a práticas sustentáveis. Na prática, redes como Commonland e iniciativas como a Regeneration Academy promovem formação, conectando produtores a fontes de financiamento e de conhecimento técnico.

À frente dessas ações, a visão de Sheila Darmos reforça a importância de reconectar produção, solo, água e saúde humana. Ela sustenta que a adoção de práticas regenerativas é crucial não apenas para o meio ambiente, mas para a soberania alimentar diante de choques geopolíticos e de energia.

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