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Calor desigual amplia monitoramento climático em favelas do Rio

Expansão do Observatório do Calor leva monitoramento para Manguinhos e Salgueiro, após 710 medições no Alemão, com intervenções urbanísticas previstas

Rio de Janeiro (RJ), 29/08/2024 - Rio Faria-Timbó, na comunidade de Manguinhos, zona norte da cidade. Um esgoto a céu aberto. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
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  • Observatório do Calor, iniciado no Complexo do Alemão, será ampliado para as favelas de Manguinhos e Salgueiro.
  • O projeto registrou 710 aferições de temperatura entre setembro de 2025 e janeiro de 2026, com pico de 43,92°C no Morro do Adeus em 26 de dezembro.
  • No mesmo dia, a temperatura máxima oficial na cidade, medida pelo Sistema Alerta Rio, foi de 34°C.
  • As medições ocorrerão três vezes ao dia em pontos diferentes, com atuação de equipes da própria comunidade.
  • A expansão conta com apoio da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), e envolve fase de depoimentos dos moradores.

O Observatório do Calor, instalado pioneiramente no Complexo do Alemão, na zona norte, registrou 710 aferições de temperatura entre setembro de 2025 e janeiro de 2026. O pico térmico foi de 43,92 °C no Morro do Adeus em 26 de dezembro, enquanto a temperatura máxima oficial da cidade naquele dia ficou em 34 °C.

Diante da desigualdade de calor observada, a prefeitura anunciou a expansão do projeto para as favelas de Manguinhos e Salgueiro. A iniciativa visa mapear ilhas de calor e propor melhorias urbanísticas para as comunidades.

O observatório é um programa da prefeitura para medir calor e qualidade do ar nas favelas, com foco em fatores como falta de árvores, adensamento habitacional e vias estreitas. A secretária municipal do Ambiente e Clima destacou a importância de entender impactos de forma local.

A força de trabalho responsável pelas medições será recrutada na própria comunidade, e os registros serão feitos três vezes ao dia em diferentes pontos. Especialistas vão analisar os dados para orientar intervenções ambientais e urbanísticas.

A expansão conta com o apoio da UFRJ e da UERJ. Na segunda fase, pesquisadores ouvirão moradores sobre os efeitos do calor no cotidiano, conforme a professora Giselle Arteiro, da FAU da UFRJ.

Intervenções urbanísticas previstas

Manguinhos, área densamente populosa com pouco verde, já teve a maior horta urbana da América Latina, que ficou inadequada. A requalificação pode incluir plantio de árvores, sombreamento e áreas com maior permeabilidade à água.

Os técnicos ressaltam que os dados irão indicar locais mais quentes e por quê, para orientar microcorredores verdes e uso mais eficiente de áreas ociosas, tornando-as espaços de convivência mais frescos.

Soluções comunitárias e mobilização

No Morro Salgueiro, a ideia é ampliar a medição do clima e também compartilhar soluções de mobilização comunitária. A localidade está próxima à Floresta da Tijuca, com áreas arborizadas e hortas, o que influência a percepção de calor local.

Líderes comunitários destacam que muitos moradores não dispõem de ar-condicionado e enfrentam verões intensos. A atuação conjunta envolve áreas periféricas, hortas e redes de apoio aos moradores.

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