- O projeto Corridors of Life, ligado ao IPÊ, trabalha desde 2002 para restabelecer áreas de Mata Atlântica no Pontal do Paranapanema, com meta de 75 mil hectares até 2041 em 30 municípios.
- Desde o início, já foram restaurados mais de 6 mil hectares, com 10 milhões de mudas plantadas.
- A iniciativa envolve 45 proprietários rurais e uma rede de 21 empresas locais (startups rurais) que executamplantio e manejo, gerando empregos para centenas de pessoas.
- Dados de SOS Mata Atlântica apontam que propriedades privadas respondem por 45% da área restaurada na Mata Atlântica entre 1993 e 2022.
- Na região, a restauração tem ampliado a biodiversidade, com aves e mamíferos, incluindo a reemergência do jaguar em áreas reflorestadas e a presença de espécies ameaçadas como o mico-leão-dourado.
O projeto Corridors of Life, liderado pelo Instituto de Ecologia e Pesquisas (IPÊ), avança na restauração de trechos da Mata Atlântica no Pontal do Paranapanema, região oeste de São Paulo. Agricultores e famílias de reforma agrária plantam espécies nativas para formar corredores ecológicos que conectem áreas protegidas, buscando recompor a cobertura vegetal.
Haroldo Gomes, biólogo e coordenador de campo do projeto, participa da vacinação florestal com mudas de ipê, arueira e guarantã. A iniciativa envolve famílias de assentamentos que já somam mais de 6 mil hectares restaurados desde 2002, com cerca de 10 milhões de árvores plantadas.
O movimento é feito a partir de uma estratégia de mapeamento territorial chamada Mapa dos Sonhos, que identifica áreas prioritárias para restauração e criação de corredores entre APPs e parques, conectando comunidades rurais a unidades de conservação.
Historicamente, a região registrou desmatamento acentuado no início do século XX, impulsionado por atividades de café, madeira e expansão de estradas de ferro. Hoje, a recuperação florestal é vista como caminho para recuperação ambiental e econômica.
Ações locais envolvem 45 proprietários rurais que participam do projeto, restaurando áreas previstas pelo Código Florestal. Em paralelo, 21 startups rurais atuam no plantio e manutenção, ampliando a oferta de empregos e a capacitação em agroecologia e reflorestamento.
Entre os impactos, a recuperação de fragmentos florestais aumenta a diversidade específica e favorece aves, mamíferos e polinizadores, como abelhas sem ferrão. A jaguar voltou a ser avistada em áreas restauradas pela primeira vez recentemente.
Benefícios sociais acompanham os ganhos ambientais: centenas de trabalhadores, além de famílias de assentados, passaram a atuar em nurserias, manejo agrícola e serviços de restauração. Projetos agroflorestais também ganham espaço, com cafeicultura associada à floresta.
Progresso e metas
A atuação já cobre milhares de hectares e envolve redes de produtores locais. A meta para 2041 é restaurar 75 mil hectares em 30 municípios paulistas, conectando áreas de conservação e fortalecendo a resiliência do ecossistema local. Estimativas apontam ainda possível recuperação de até 250 mil hectares degradados.
O andamento do projeto também depende de dados de campo, monitoramento ambiental e cooperação entre entidades públicas, comunitárias e o setor privado. A expectativa é que o trabalho continue ampliando empregos, renda local e a cobertura vegetal na região.
Desafios históricos
As ocupações e o histórico de desmatamento influenciaram a paisagem atual, reforçando a necessidade de restauração contínua. As comunidades rurais relatam que a região já foi marcada pela pressão por terras e pela expansão de atividades agropecuárias, o que tornou essencial o envolvimento direto das famílias na recuperação ambiental.
A experiência piloto demonstra que, com planejamento e participação comunitária, é possível conciliar conservação com desenvolvimento local. O objetivo é manter o impulso, ampliar a participação de novos produtores e consolidar os corredores de vida entre áreas protegidas.
Benefícios para a fauna e a biodiversidade
As áreas reflorestadas já exibem maior conectividade entre fragmentos, facilitando o deslocamento de espécies e a dispersão de sementes. Em áreas restauradas, foram registrados 174 tipos de aves e 29 mamíferos, incluindo espécies ameaçadas, como o tamarim-de-lua.
A presença de áreas de mata nativa favorece a reprodução de polinizadores e a biodiversidade local, fortalecendo o equilíbrio do ecossistema e contribuindo para a resiliência climática da região.
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