- Na CMS-15, realizada no Brasil, governos e sociedade civil criaram, pela primeira vez em escala global, seis corredores marinhos de migração identificados pela BirdLife International, que abrangem mais de 150 espécies de aves marinhas em 54 países.
- Esses trajetos mostram que aves marinhas percorrem oceanos vastos e conectam continentes, com aves como o maçarico-do-arquipélago e o albatrujo percorrendo milhares de quilômetros por ano.
- A conservação dessas rotas depende de entender a saúde do oceano: 42% das espécies estão globalmente ameaçadas e muitas estão em declínio.
- Principais ameaças incluem espécies invasoras, captura acidental em redes de pesca, mudanças climáticas, poluição e sobrepesca.
- O novo enquadramento de “flyways marinhos” oferece cooperação entre países, com ações como criação de áreas protegidas, erradicação de espécies invasoras e práticas pesqueiras mais seguras; o próximo passo é a Global Flyways Summit, em 11 de setembro de 2026, em Nairóbi.
Em uma conferência global realizada no Brasil, governos, conservacionistas e sociedade civil fecharam um acordo histórico no CMS-15 para mapear as rotas de migração marinha. A iniciativa estabelece, pela primeira vez em escala global, as chamadas flyways marinhas, importantes para a conservação de aves marinhas.
A BirdLife International identificou seis grandes flyways que abrangem águas de 54 países e atendem mais de 150 espécies migratórias de seabirds. Entre as espécies mais rápidas estão os albatrozes e os gigantes, assim como o rabo-de-pássaro menor, com trajetos que vão do Ártico ao Antártico.
Apesar da resiliência, 42% dessas espécies estão globalmente ameaçadas e o oceano passa por mudanças rápidas. A degradação ocorre por invasões de espécies, pesca predatória, mudanças climáticas e poluição, o que reduz áreas de alimentação e reprodução.
Foram apresentados os benefícios do conceito de flyways como quadro de cooperação. Ele reúne governos e partes interessadas para definir prioridades, mobilizar recursos e apoiar ações como criação de áreas marinhas protegidas e erradicação de espécies invasoras em colônias-chave.
A ideia também fortalece acordos ambientais globais, como o KVF, convenções regionais e o tratado High Seas (BBNJ), ao oferecer linguagem comum e responsabilização compartilhada. A coordenação entre fronteiras passa a ser prioridade.
Neste contexto, a conferência sinaliza que ações coordenadas em escala de bacia oceânica são essenciais para a sobrevivência de várias espécies. O apelo é por planejamento, financiamento e execução conjunta de medidas de conservação.
Novo marco de cooperação
A resolução do CMS reconhece as flyways como instrumento de ação global. A criação de rotas compartilhadas implica responsabilidade compartilhada entre países, com foco em decisões sobre áreas protegidas, manejo pesqueiro seguro e restauração de habitats.
A iniciativa pode orientar ações onde são mais necessárias, com esforços para reduzir ameaças, mapear áreas críticas e monitorar resultados. A expectativa é acelerar intervenções já conhecidas e eficazes, com custo viável e escalável.
A próxima edição do Global Flyways Summit está marcada para 11 de setembro de 2026, em Nairobi. O encontro reunirá governos, cientistas, sociedade civil e líderes locais para discutir intervenções e parcerias.
As flyways marinhas revelam que o oceano é um sistema único e interligado. A proteção depende de cooperação entre nações, com ações que atravessam fronteiras para preservar espécies que realizam migrações milenares.
Quem assina as propostas são especialistas da BirdLife International, com participação de autoridades e pesquisadores em conservação marinha. As informações destacam a urgência de manter o impulso científico e institucional.
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