- A Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro abriu, em 11 de novembro de 2024, uma investigação sobre infecção por HIV em pacientes que receberam órgãos transplantados no estado.
- Uma mulher vítima de transplante com órgão contaminado faleceu em 18 de março deste ano, após ficar internada por um ano e cinco meses.
- Segundo a SES-RJ, ela recebia total assistência e era monitorada diariamente pela equipe; em julho do ano anterior, já havia sido indenizada pelo Governo estadual.
- O Ministério Público denunciou seis pessoas ligadas ao laboratório PCS Lab Saleme por erros nos testes, com outros desvios como falsificação de documentos; houve mandados cumpridos e entrega de um dos investigados.
- Na Justiça, audiências ocorreram em 2025 (ouvidas de vítimas e testemunhas) e, em 2024, as vítimas de transplantes na rede pública foram indenizadas por meio de acordo; o contrato entre a secretaria e o laboratório, no valor de cerca de R$ 11 milhões, foi suspenso.
A Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro (SES-RJ) abriu, em 11 de novembro de 2024, uma investigação sobre infecção por HIV em pacientes que receberam transplantes de órgãos. A apuração apura falhas no processamento de doadores e testes diagnósticos.
Uma mulher vítima de um transplante realizado em 2024 morreu após ficar internação por um ano e cinco meses em uma unidade especializada do Rio de Janeiro. Segundo a SES-RJ, ela recebia acompanhamento médico diário da equipe multidisciplinar antes do falecimento, ocorrido em 18 de março de 2025.
A SES-RJ informou ainda que a paciente já havia sido indenizada pelo Governo do Estado em julho do ano anterior. A pasta reforçou que continuará oferecendo suporte psicológico aos familiares.
Entenda o caso
Seis pessoas teriam contraído HIV após transplantes na rede pública. A investigação aponta que dois doadores tiveram exames com resultado falso negativo em um laboratório privado da Baixada Fluminense. A CNN Brasil confirmou que os testes foram realizados pelo PCS Lab Saleme, sediado em Nova Iguaçu.
No dia 22 de dezembro, o Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) denunciou seis envolvidos por erros nos testes. Deles, sócios e funcionários do laboratório foram acusados de associação criminosa, lesão corporal grave e falsidade ideológica. A denúncia também solicitou prisão preventiva.
A Polícia Civil informou cumprimento de mandados de busca e apreensão nas unidades do PCS Saleme e em endereços vinculados aos investigados. Um dos indiciados respondia ainda por falsificação de documento particular, por apresentar diploma falso.
Avanços judiciais e acordos
Em 2025 ocorreu a primeira audiência, com depoimentos de vítimas e de testemunhas de acusação. Em abril, a perícia de instrução contou com 11 testemunhas de acusação, 17 de defesa e os seis réus presentes.
Na temporada anterior, as vítimas dos transplantes indenizadas haviam recebido tratamento por meio de um Termo de Ajustamento de Conduta firmado entre o Ministério Público, o governo estadual, a Fundação Saúde e o PCS Lab. O acordo previa compensação financeira e um programa de acompanhamento médico e psicológico contínuo.
Contrato de prestação de serviços
Entre 2023 e 2024, o PCS Lab foi contratado pela Secretaria de Saúde para realizar análises de doadores. O contrato, firmado pela Fundação Saúde do Estado, tinha valor total próximo de R$ 11 milhões. A vigência era de 12 meses, com a empresa responsável por exames laboratoriais, incluindo HIV.
O contrato foi suspenso pela SES-RJ após a ciência dos desdobramentos do caso. A apuração continua para esclarecer responsabilidades e eventual reparação adicional às vítimas.
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