- O chamado “grande livro” sobre tubarões e raias de Camarões reúne dados de pescadores ao longo de oito anos, usando o aplicativo Siren para registrar espécies trazidas à costa.
- O estudo, resultado de parceria entre pescadores e cientistas, compilou 45 espécies de tubarões e raias nas águas do país, sendo 36 consideradas ameaçadas pela IUCN, com 13 classificadas como criticamente em perigo.
- A maior parte das espécies é capturada ainda na fase de juvenile, o que reduz a capacidade de recuperação das populações.
- O trabalho abrangeu o período de 2015 a 2023, com 7.097 exemplares registrados: 5.353 raias e 1.744 tubarões, além de pesquisas em mercados de peixe para complementar dados.
- A falta de leis específicas de proteção a tubarões e raias em Camarões, aliada à pressão de pesca industrial, levou pesquisadores a defender limites à pesca industrial, melhoria na gestão de áreas protegidas e o uso de monitoramento acústico, eDNA e marcação para entender padrões de ocorrência e deslocamento.
O jornalismo científico registra avanço na compreensão da fauna marinha de Camarões. O estudo parte de dados coletados por pescadores artesanais ao longo de oito anos, com apoio de uma plataforma móvel de participação popular, a Siren, para registrar espécies capturadas nas áreas de desembarque e no mar.
A pesquisa conta com a colaboração de mais de 80 pescadores distribuídos entre as três regiões costeiras. O objetivo foi mapear a diversidade de tubarudos e raias, preenchendo uma lacuna histórica de informações para conservação e gestão pesqueira no país.
Entre 2015 e 2023, os pesquisadores registraram 7.097 exemplares, sendo 5.353 raias e 1.744 tubarões. O material aponta 45 espécies no litoral camaronense, das quais 36 são consideradas ameaçadas pela IUCN, incluindo 13 na categoria de critically endangered.
Ghofrane Labyedh, pesquisadora principal, afirma que quase 90% das espécies são capturadas ainda na fase de juvenil, o que compromete a recuperação populacional. Sem proteção legal específica, a situação de várias espécies pode se agravar se as tendências atuais persistirem.
Dentre as espécies em maior frequência na bycatch, destacam-se o blackchin guitarfish e o scalloped hammerhead, ambas classificadas entre as mais ameaçadas. O cenário preocupa pela função ecológica de tubarões e raias como predadores de topo.
A coleta de dados contou ainda com levantamentos em mercados de peixe, que complementaram as informações da Siren ao fornecer dados de sexo, maturidade e outros aspectos não capturados pelos pescadores. O estudo também descreve padrões de pesca nos litorais.
Cornelius John, pescador de Kribi, aponta que as raias aparecem com maior frequência como bycatch de juvenis. Segundo ele, capturar jovens não gera grande impacto na renda, o que pode favorecer estratégias de liberação.
O relatório destaca que a pesca industrial, com redes de arrasto bottom trawl, representa uma ameaça ainda maior para tubarões e raias, mesmo quando não são o objetivo principal. O impacto é global e já é foco de debates sobre pesca responsável.
Como próximos passos, a equipe prevê monitoramento acústico, análise de DNA ambiental e marcação de tubarões e raias para entender a presença de espécies pouco registradas, zonas de reprodução e trajetos migratórios. A cooperação regional é enfatizada.
Labyedh ressalta que dados confiáveis ajudam a embasar ações governamentais para proteção legal das espécies mais vulneráveis. A participação de comunidades pesqueiras é vista como ganho institucional, fortalecendo o papel social da ciência na conservação.
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