- A UE avalia os biocombustíveis como alternativa diante da queda de reservas de petróleo e do risco associado ao estreito de Hormuz.
- A revisão da diretiva de energia renovável exige que transporte utilize vinte e nove por cento de energia renovável até 2030, com meta de cinco vírgula cinco por cento para biocombustíveis avançados.
- Biocombustíveis são produzidos a partir de biomassa; a primeira geração usa culturas alimentares, a segunda vem de resíduos e vegetação não comestível, e a terceira de algas.
- Um estudo do KIT aponta recursos renováveis suficientes para manter o transporte longe de fósseis a longo prazo, destacando materiais residuais e de desperdício como potenciais fontes de combustível.
- Críticos ressaltam impactos como competição com alimentos, pressão sobre preços e desmatamento; defendem priorizar veículos elétricos, baterias e cadeia de suprimentos para reduzir CO₂.
A União Europeia está diante de uma pressão para reduzir a dependência de petróleo diante da redução de fornecimento global e do risco de interrupções no Estreito de Hormuz. Empresas e governos estudam o uso de biocombustíveis como alternativa energética para transportes.
Ministros se reuniram na terça-feira, 31 de março, para discutir a escassez mundial de cerca de 11 milhões de barris de petróleo por dia. O commodity trader Alkagesta aponta que 20% do diesel consumido na UE e no Reino Unido vem do Golfo, aumentando o interesse por alternativas.
O comissário Dan Jørgensen pediu medidas para reduzir o uso de óleo e gás na mobilidade, alimentando o debate sobre biocombustíveis. A discussão acompanha a revisão da Diretiva de Energias Renováveis, que fixa 29% de energia renovável no transporte até 2030, com 5,5% de biocombustíveis avançados.
O que são e como funcionam
Biocombustíveis são produzidos a partir de biomassa, com gerações diferentes: primeira geração de alimentos, segunda de resíduos agrícolas e vegetação não comestível, e terceira a partir de algas. O biodiesel pode ir direto para carros; o bioetanol exige adaptação de motores.
Estudos indicam que a Europa tem recursos renováveis suficientes para transporte sem combustíveis fósseis a longo prazo. Pesquisadores destacam uso de resíduos como palha, aparas de madeira e resíduos orgânicos, além de culturas que crescem em terras de baixo rendimento.
Entretanto, especialistas divergem quanto ao papel dos biocombustíveis. Alguns sugerem que a eletrificação do transporte é prioridade, com foco em fábricas de baterias, cadeia de materiais críticos e competitividade com a China.
Desafios e controvérsias
Biocombustíveis podem competir com a produção de alimentos, elevando preços e insegurança alimentar em países pobres. Estudo anterior aponta desperdício de terras na Europa para cultivo de combustível, sugerindo que áreas para energia solar poderiam gerar o mesmo benefício energético.
Críticos ressaltam impactos ambientais, como o risco de desmatamento em ecossistemas sensíveis, como a Amazônia. Também questionam a neutralidade de carbono, dada a energia necessária para cultivo, colheita e processamento.
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