- A China intensificou controles de fronteira, acelerou vacinas e iniciou o abate de gado após surto de febre aftosa; no total, 6.229 bovinos foram afetados na província de Gansu e na Região Autônoma Uigur de Xinjiang.
- Analistas ressaltam que foi a primeira detecção do sorotipo SAT-1 na China, e que as vacinas domésticas para os sorotipos O e A, mais comuns, não oferecem proteção contra SAT-1.
- O surto teria entrado na China pela fronteira noroeste, região que faz fronteira com o Cazaquistão, a Mongólia e a Rússia; Xinjiang e Gansu receberam ordens para reforçar patrulhas e impedir entrada pela contrabando.
- Duas vacinas contra SAT-1, desenvolvidas pela Zhongnong Weite Biotechnology Co., Ltd, foram aprovadas em caráter emergencial; podem chegar ao mercado em cerca de um mês.
- O setor pecuário enfrenta queda de preços da carne, excesso de capacidade e fraca demanda; especialistas dizem que uma piora no rebanho pode pressionar ainda mais os preços.
A China aumentou o controle de fronteiras, acelerou campanhas de vacinação e iniciou o abate de gado após um pequeno surto de febre aftosa no noroeste do país, que, segundo autoridades, teve origem no exterior. O Ministério da Agricultura informou que já são utilizados procedimentos de abate e desinfecção nas áreas afetadas.
O foco do surto envolve 6.229 bovinos nas províncias de Gansu e na Região Autônoma Uigur de Xinjiang. Analistas apontam que é a primeira detecção na China do sorotipo SAT-1, comum na África, e destacam que vacinas nacionais para os sorotipos O e A não protegem contra SAT-1.
Na segunda-feira, 30/3, as autoridades disseram que o surto ingressou pela fronteira noroeste, região que faz fronteira com Cazaquistão, Mongólia e Rússia. Xinjiang e Gansu receberam ordens para intensificar patrulhas e impedir a entrada da doença por contrabando ou transporte ilegal.
Situação regional e resposta
Rosa Wang, analista da Shanghai JC Intelligence Co, afirmou que o surto atual ameaça uma grande região e que prevenção e controle estão sob pressão. A disseminação ocorreria na região transfronteiriça, com protocolos mais rigorosos para evitar importação de animais do exterior.
O alerta também chega em um cenário com surtos bovinos na Rússia, na região de Novosibirsk, a cerca de 1.200 km de Xinjiang. Um relatório do Departamento de Agricultura dos EUA, de 20 de março, sustenta que a China pode estar lidando com um surto não confirmado. A Rússia, por sua vez, negou o surto.
Perspectivas e medidas em curso
Doenças animais já entraram na China vindas da Rússia, incluindo a peste suína africana em 2018 e o sorotipo O da febre aftosa em 2000 e 2014. Especialistas ressaltam que medidas restritivas aos produtos pecuários russos podem ocorrer se a transmissão for originada lá.
A SAT-1 dissemina-se principalmente por contato direto, mas também por via aérea, com transmissão aérea mais forte que os sorotipos A e O, segundo analistas. Duas vacinas contra SAT-1, produzidas pela Zhongnong Weite Biotechnology Co., receberam aprovações emergenciais.
Impactos e cenário econômico
Observadores do setor apontam que as vacinas podem chegar ao mercado em cerca de um mês. O setor pecuário chinês enfrenta queda de preços, excesso de capacidade e demanda fraca. Analistas mencionam que, sem controle eficaz, os preços do gado podem oscilar, com impacto no rebanho.
A China informou que a cepa SAT-1 se espalha com rapidez, pode provocar grandes perdas de produção e tem taxa de mortalidade acima de 50% em animais jovens. A situação mantém autoridades internamente em alerta e reforça cooperação fronteiriça.
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