- O Tribunal Ambiental e de Terras de Narok rejeitou a ação contra a Ritz-Carlton Masai Mara Safari Camp, alegando falta de jurisdição e uso inadequado de vias de resolução de disputas.
- A decisão aponta que a queixa deveria ter sido apresentada e apreciada por meio de mecanismos de resolução de disputas previstos na Lei de Conservação da Vida Selvagem e na Lei de Gestão Ambiental.
- A controvérsia envolve a localização do empreendimento em uma área protegida, dentro de uma rota de migração de animais ao longo do Sand River, o que poderia impactar o movimento da Grande Migração.
- Mesmo após a decisão, autoridades e cientistas alertam para riscos potenciais a longo prazo e ressaltam a necessidade de estudos continuados e acesso público aos impactos ambientais.
- A obra recebeu críticas de defensores ambientais e da comunidade Maasai, que temem impactos ecológicos, culturais e econômicos, enquanto a KWS informou que não há evidência de interferência na migração até o momento.
O Tribunal de Meio Ambiente e de Ordenamento do Território de Narok rejeitou a ação apresentada em agosto de 2025 por Meitamei Olol Dapash, diretor do Institute for Maasai Education, Research and Conservation. A denúncia contestava a abertura do Ritz-Carlton Masai Mara Safari Camp, operado pela Lazizi Mara Ltd. A decisão afirma ter falhas de jurisdição e recomenda esgotar vias de resolução de disputas previstas na legislação ambiental antes de maior tramitação judicial.
A corte sustenta que o queixoso deveria ter apresentado queixa sob a Seção 117 da Wildlife Conservation and Management Act, buscando vias de solução comunitária, e também recorrência sob a Environmental Management and Coordination Act. Com isso, o tribunal declarou estar sem jurisdição para o mérito do caso.
Para defensores ambientais, como Johnson Yiamat, a decisão pode minimizar preocupações de conservação. Yiamat é Maasai, fundador da Osotua Green Alliance, e diz que o tema envolve sensibilidade ecológica, voz comunitária e gestão do Maasai Mara. Atribui importância à participação das comunidades locais.
O Ritz-Carlton Masai Mara Safari Camp tem 20 suítes privadas, piscina infinita e spa, com tarifas noturnas em torno de 3,5 mil dólares. O local fica dentro de uma área protegida, às margens do Sand River, em uma rota de migração de animais.
A trilha da Grande Migração envolve quase 2 milhões de herbívoros entre junho e outubro, entre Maasai Mara e Serengeti. A observação deste fenômeno atrai centenas de milhares de turistas e tem impacto econômico relevante para o turismo do país.
Segundo o plano operacional da gestão da reserva Maasai Mara, novas construções de hotéis não deveriam ocorrer até 2032. Documentos obtidos pelo Citizen indicam que houve uma exceção concedida pela Presidência para esse empreendimento, permitindo o projeto em local específico.
Shivan Patel, diretor da Lazizi Mara, informou à imprensa que a exceção foi parte de um procedimento oficial de avaliação de impacto ambiental. O argumento é de que a flexibilização ocorreu dentro de um processo institucional formal.
Especialistas em ecologia destacam que a posição exata de rotas de cruzamento dos animais é ampla, o que reduz o impacto de um único ponto. Isla Duporge, bióloga da Princeton, recomenda uso de dados de satélite para comparação pré, durante e pós-obra, para medir o efeito real.
A Kenya Wildlife Service (KWS) afirmou que a área do Sand River possui várias opções de cruzamento e não obstrui a migração. A agência acrescentou que todo o conjunto de documentos obrigatórios foi apresentado antes da construção.
Os impactos sociais e ambientais continuam em avaliação, especialmente pela possibilidade de mudanças no comportamento dos animais caso o fluxo seja alterado. A disponibilização pública de estudos de impacto permanece controversa.
A resistência local aponta riscos a conhecimentos tradicionais Maasai, já que a migração sustenta rituais, pastoreio e práticas de manejo. Líderes comunitários temem perda de autonomia e de saberes ecológicos ao longo do tempo.
Mesmo com a decisão judicial, a controvérsia sobre o Ritz-Carlton persiste. A decisão de 26 de fevereiro de 2026 cancelou o processo e determinou que Olol Dapash arque com as custas do processo, sem detalhar o valor.
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