- Dunga Beach, na margem do lago Victoria, abriga uma área alagada que é habitat de espécies raras e atua como sumidouro de carbono.
- Espécies destacadas incluem o papyrus gonolek e o papyrus yellow warbler, além do antílope sitatunga; ambos dependem de áreas de papiro em Dunga e no pântano Yala.
- História de conservação: em 2002 houve acúmulo de lixo plástico e extração de papiro; nasceu a DECTTA para ecoturismo e redução de resíduos, mas houve retrocessos até 2006; retomada em 2008 com foco em turismo sustentável.
- Atualmente, o pântano permanece sem gazetting, com desafios de fiscalização, envolvimento comunitário e pressão de grandes atividades privadas de infraestrutura.
- Pesquisas de 2025 apontam contaminação crescente nas águas próximo-litorais; há ações de parcerias com FAO e governo local para criar um “jardim úmido” e avançar na proteção formal da área.
Dunga Beach, na região do Zambeze do Lago Vitória, abriga o ecossistema de Dunga, um pântano de papyrus que serve de abrigo para espécies raras e atua como sumidouro de carbono. A organização liderada por jovens atua para reviver o sistema lagunar e promover turismo ecológico.
A campanha é coordenada pela Dunga Ecotourism and Environmental Association (DECTTA), criada em 2002 para combater a poluição e o desmatamento de papiro. O grupo envolve jovens, pescadores e a comunidade local, buscando valor econômico sustentável pela conservação.
O que acontece e quem envolve
DECTTA trabalha para reduzir lixo plástico, reverter a exploração do papiro e promover educação ambiental. A associação opera dois barcos de turismo e uma tirolesa no lago, gerando receita para manter a infraestrutura e apoiar programas de alimentação para idosos e escolas.
Em 2006, a prática de pesca predatória e o avanço de áreas de cultivo comprometiam zonas de criação de peixe. O aumento de artefatos feitos de papiro também ameaçava o ecossistema, segundo depoimentos de membros da DECTTA.
Desafios legais e ambientais
O pantanal de Dunga permanece sem gazetting, apesar de esforços de lobby ambiental. Autoridades destacam a falta de coordenação entre ministérios e governos locais, bem como a necessidade de dados abrangentes sobre a extensão do pântano.
Profissionais ouvidos por Mongabay apontam que menos de 10% das áreas úmidas nacionais recebem proteção legal formal. A harmonização de leis é citada como medida necessária para uma proteção eficaz.
Dados e impactos locais
Estudos encomendados pela Lake Victoria Basin Commission em 2025 indicam contaminação crescente em áreas costeiras, com esgoto não tratado, escoamento agrícola e resíduos sólidos. A pesquisa envolve Kenya, Uganda e Tanzania e abrange mais de 40 pontos ao redor do lago.
Especialistas ressaltam que a conservação das áreas alagadas deve ocorrer de modo integrado, desde a nascente até o lago. As wetlands são descritas como pulmões do Lago Vitória e filtro crucial do ecossistema.
Caminhos e perspectivas
DECTTA está em diálogo com a FAO, governos locais e parceiros para criar o conceito de “jardim úmido”, uma versão reduzida do ecossistema em água rasa com zonas de umidade e espécies nativas. A proposta visa atrair fauna e aumentar o turismo sustentável.
O grupo planeja cobrar ingresso para o jardim úmido, mantendo o fluxo de caixa para a conservação maior. Também pretende pressionar pela gazetting de Dunga e de outras áreas úmidas sob leis nacionais e locais.
Mobilização e próximos passos
DECTTA mantém ações de educação ambiental e turismo guiado em Dunga, incluindo passeios de barco e visitas focadas a observadores de aves. A organização também coopera com outras juventudes locais para ampliar o alcance de suas ações.
A expectativa é que os esforços de conservação, aliadas a melhores marcos legais, incentivem a participação da comunidade e resultem na proteção formal do pantanal de Dunga, preservando a biodiversidade ameaçada.
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