- Autoridades em Malawi atribuem ao aumento de fiscalização e controles fronteiriços o encerramento do contrabando de lagostim invasivo, quase um ano após apreensão significativa na Zâmbia.
- A espécie em foco é o redclaw Cherax quadricarinatus, criado na Zâmbia, mas nativo da Austrália e de Papua Nova Guiné.
- Em maio de 2025, quatro zambianos foram presos com 250 kg de lagostim vivo; o contrabando foi incinerado, e os suspeitos receberam multa e foram liberados.
- Desde então, Malawi coopera com autoridades da Zâmbia, Tanzânia e Moçambique para evitar entrada de espécies exóticas.
- Especialistas ressaltam que as multas foram consideradas baixas, mas o cultivo de fiscalização contínua é visto como medida de biossegurança e proteção aos meios de subsistência locais.
Malawi atribuiu aos controles de fronteira mais rigorosos a melhoria no combate ao contrabando de lagostas invasoras, quase um ano após uma grande apreensão na Zâmbia vizinha. A operação visa impedir a entrada de redclaw, espécie originária da Austrália e de Papua-Nova Guiné.
Davie Khumbanyiwa, responsável pela fiscalização e monitoramento na pesca, destacou que as inspeções aumentaram em viveiros, mercados e rios conectados à bacia com a Zâmbia. O objetivo é evitar a presença de espécies exóticas no país.
Jeremiah Kang’ombe, especialista da Lilongwe University, reforçou que o controle fronteiriço funciona como primeira linha de defesa para biossegurança. A atuação também envolve cooperação com autoridades da Zâmbia, Tanzânia e Moçambique.
Operação e cooperação regional
Em maio de 2025, quatro pessoas da Zâmbia foram presas com cerca de 250 kg de redclaw vivos, violando normas de pesca e ambientais. A contrabando foi incinerada e os suspeitos multados e liberados. A Malawi Fisheries afirma que, desde então, não houve novas apreensões.
Um dos abordados relatou ter feito outra viagem semelhante no início de 2025, vendendo parte da carga para um comprador chinês. Autoridades ressaltam que o valor da soma das multas não é suficiente para dissuadir atividades desse tipo.
Especialistas ressaltaram que as multas entre US$ 29 e US$ 86 são baixas frente aos prejuízos ecológicos e econômicos. O órgão oficial indicou que a decisão de destruir o material contrabandeado foi corroborada pelo poder judiciário.
Contexto e impactos
Estudos indicam que o redclaw foi introduzido no Zâmbia no início dos anos 2000 para aquicultura. A espécie é agressiva e pode reduzir populações de peixes nativos, além de se multiplicar rapidamente.
O setor pesqueiro de Malawi envolve cerca de 82 mil pescadores, com impactos indiretos para mais de meio milhão de pessoas engajadas na cadeia de processamento e venda de pescado. A própria autoridade aponta riscos à produção e à segurança alimentar caso o parasita se estabeleça.
A própria instituição ambiental ressalta que, se o crustáceo ganhar espaço nos rios e áreas úmidas do país, podem ocorrer prejuízos ecológicos e econômicos significativos.
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