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Projeto com IA identifica padrão em vítimas de violência doméstica

Recife usa IA para detectar violência doméstica e feminicídio em unidades de saúde, com 541 profissionais capacitados e alertas no prontuário eletrônico

Mulheres procuram serviços de saúde 90 dias antes de uma agressão ou feminicídio
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  • Projeto em Recife usa inteligência artificial, chamada ClarIA, para identificar sinais de violência doméstica e feminicídio em unidades de saúde, com mais de 500 profissionais habilitados para acolhimento.
  • A análise de 16 mil registros de atendimentos de mulheres em unidades de saúde, integrada a dados do Sinan, aponta que nos 90 dias antes de uma agressão a maioria procura mais serviços de saúde, relatando questões de saúde mental.
  • A ferramenta gera alertas no Prontuário Eletrônico do Cidadão (PEC) e-SUS ao identificar indícios de violência.
  • A iniciativa é fruto de parceria entre a Prefeitura do Recife, a Secretaria da Saúde, a Vital Strategies e a Universidade Federal de Juiz de Fora, e será utilizada em 24 unidades de saúde, com 541 profissionais capacitados.
  • Em testes piloto, a IA foi avaliada em três Unidades de Saúde da Família e uma equipe E-Multi, com mais de sessenta profissionais treinados para identificar e acolher vítimas.

O Recife ganhou um projeto inédito que usa inteligência artificial para identificar possíveis vítimas de violência doméstica e feminicídio. A ferramenta ClarIA analisa sinais de violência e padrões de comportamento a partir de 16 mil registros de atendimentos em UBS e dados do Sinan.

O estudo, realizado pela Prefeitura do Recife em parceria com a Vital Strategies e a UFJF, aponta que nos 90 dias que antecedem uma agressão, a frequência de busca por serviços de saúde aumenta entre as mulheres atendidas. O objetivo é permitir intervenção rápida e acolhimento qualificado.

A rede de apoio envolve 24 unidades de saúde e 541 profissionais habilitados para acolhimento. Atualmente, 75% das notificações de violência contra a mulher no Sinan são feitas pelos prontos-socorros, enquanto apenas 1% ocorre na Atenção Básica.

Ação e implementação

Antes de chegar às unidades de Atenção Básica, a IA foi testada em três Unidades da Saúde da Família: Santo Amaro III, Santa Terezinha e Pilar, além de uma equipe E-Multi. No piloto, mais de 60 profissionais passaram por capacitação para identificar e encaminhar possíveis vítimas.

O funcionamento da ClarIA envolve a análise de dados clínicos e históricos dos sistemas de saúde. Ao detectar indícios de violência, o sistema gera um alerta no PEC e-SUS, orientando o acolhimento e encaminhamentos para redes especializadas.

Perspectiva e impactos

A secretária de Saúde do Recife, Luciana Albuquerque, ressalta que a identificação precoce e o encaminhamento oportuno podem quebrar o ciclo de violência e evitar desfechos fatais. O projeto está alinhado com a construção de um atendimento mais ágil e humanizado às mulheres em situação de violência.

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