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Europa lidera IA e drones, mas fica atrás na implantação

Europa lidera a pesquisa em IA, drones e cibersegurança, mas a implantação lenta a deixa atrás dos EUA na corrida militar

A Ukrainian soldier launches FlyEye WB Electronics SA, a Polish reconnaissance drone.
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  • A Europa domina a pesquisa básica em IA, drones, robótica, quantum e cibersegurança, mas é lenta na aplicação prática no campo de batalha.
  • O estudo da BCG, com o general Lavigne, aponta que a transição da inovação para a implantação é o desafio central.
  • A União Europeia investe 115 milhões de euros no programa AGILE, que mira startups e PMEs nesses setores, para acelerar a implantação.
  • O tempo de aquisição na Europa é mais lento, com grande parte das compras ocorrendo em nível nacional, dificultando a escalada rápida de tecnologias.
  • A necessidade é de estruturas de financiamento e aquisição mais ágeis para transformar pesquisas em ativos de defesa utilizáveis rapidamente, com prazos estimados de cinco a dez anos.

A União Europeia investe 115 milhões de euros em AI, drones, robótica, quantum e cibersegurança, visando acelerar a aplicação prática de melhorias tecnológicas. O objetivo é transformar pesquisas de ponta em capacidades operacionais, especialmente no campo militar.

Relatórios de pesquisa da BCG, com participação de General Lavigne, apontam que a ciência europeia está na dianteira em termos de publicação e inovação fundamental, mas a implementação é mais lenta. Segundo Nikolaus Lang, a Europa domina a exploração, enquanto os EUA avançam na exploração para a implantação.

A conclusão central é que não se trata mais de inovar, mas de levar tecnologias do papel ao campo de operação com rapidez. A diferença entre pesquisa de base e uso prático expõe fragilidades estruturais na defesa europeia.

O fosso entre laboratório e campo

A pesquisa europeia forma a base das tecnologias de IA, quântica, drones e telecomunicações, mas o financiamento para transformar descobertas em ativos militares é menor nos EUA. Patentes e velocidade de implantação favorecem o país norte-americano.

Em termos de investimentos, os EUA direcionaram cerca de 70 bilhões de dólares para capital de risco em tecnologia de defesa na última década, enquanto a Europa investiu aproximadamente 7 bilhões de euros. A diferença é evidente na prática de uso.

Em drones, a lacuna fica ainda mais clara. Antes da invasão da Ucrânia, a Europa tinha menos de 2 mil drones em serviço. Hoje, ambos os lados operam entre seis e sete milhões de drones anuais, pressionando aquisições europeias.

Desafios de aquisição e dependência

Lang destaca que drones evoluem a cada 3 a 6 meses, o que dificulta compras em massa de milhões de aparelhos que podem tornar-se obsoletos rapidamente. O modelo de aquisição europeu, voltado a tanques e mísseis em ciclos longos, não acompanha o ritmo tecnológico.

Outro entrave é a dependência de cadeias de suprimento chinesas para componentes-chave de drones, o que agrava a vulnerabilidade europeia. A comparação com a velocidade de inovação na Ucrânia é marcante, segundo o especialista.

A máquina de implantação que falta

A implantação sofre pela ausência de estruturas de compra rápidas. Nos EUA, unidades dedicadas fecham contratos em 60 a 90 dias, levando tecnologia ao campo em cerca de dois anos. A Europa ainda não criou mecanismo equivalente em escala.

A iniciativa AGILE, lançada em março com o aporte de 115 milhões de euros, pretende reduzir esse gap estrutural, apoiando startups e PMEs em IA, drones, robótica, quantum e cibersegurança. Ela se soma a programas como EDIRPA e ASAP, voltados a compras conjuntas e à produção de munição, respectivamente.

Para Lang, AGILE é um passo, mas não a solução definitiva. Ele compara o movimento a colocar alguns barcos rápidos ao lado de um cargueiro lento, indicando que é necessário ampliar e acelerar iniciativas para transformar pesquisa em capacidade operacional.

Caminho a seguir

A tendência aponta para maior mobilização de capitais para apoiar startups europeias que realizam pesquisa de base, mas que precisam de apoio para migrar da exploração à exploração tecnológica. A coordenação entre instituições nacionais e europeias é citada como fator-chave.

Embora haja sinais de avanços, a construção de uma pilha tecnológica militar europeia autônoma exige mudanças estruturais de longo prazo. O prazo estimado pelos especialistas varia entre cinco a dez anos, com ênfase na necessidade de capital para sustentar o pipeline rumo a ativos de combate.

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