- A cheetah asiática está em risco crítico no Irã, com menos de trinta indivíduos na natureza, piorando devido à guerra.
- Antes do conflito, houve notícia rara: uma fêmea foi avistada com cinco filhotes em North Khorasan; a população viva já somava cerca de vinte e sete animais no país.
- Conservação no Irã enfrentou décadas de instabilidade desde a Revolução de 1979, guerras e sanções ocidentais que atrasaram ou impediram financiamentos e apoio internacional.
- Riscos atuais incluem redução de presas, habitats fragmentados, estradas perigosas e baixa diversidade genética, que comprometem a sobrevivência da subespécie.
- Monitoramento por câmeras e, principalmente, coleiras de GPS são fundamentais, mas restrições de guerra dificultam o trabalho de ONGs e pesquisadores e ampliam os riscos.
O Iraque está em guerra desde fevereiro de 2026, e a proteção aos guepardos asiáticos do Irã ganha destaque internacional. As autoridades iranianas mantêm o status de espécie protegida desde 1959, mas conflitos recentes colocam em risco a sobrevivência da subespécie, com menos de 30 indivíduos no país.
Antes do conflito, houve avanços moderados: uma fêmea foi flagrada com cinco filhotes no norte de Khorasan, marca inédita desde que se registraram irmãos. Ao todo, o contingente selvagem passou de 20 para 27 animais, segundo fontes oficiais iranianas, que associam os números a indivíduos já identificados e monitorados.
O cenário da espécie no país
A espécie, Acinonyx jubatus venaticus, já ocupou vastas áreas da Ásia Central e do sul, mas hoje resulta de 16% de seu território anterior, restrita ao Irã. A IUCN classifica o subgrupo como criticamente ameaçado, com vigilância de pesquisadores para identificar movimentos e padrões de contato com humanos.
A proteção do guepardo no Irã enfrentou décadas de turbulência política. A Revolução de 1979 e a Guerra Iran-Iraque contribuíram para anos de descuido, agravados por sanções ocidentais que dificultam financiamentos e cooperação internacional, segundo estudos recentes.
Impactos da guerra na conservação
Condições de combate dificultam o acesso a áreas protegidas e hindem o monitoramento contínuo, com interrupções em campanhas de campo, instalação de armadilhas fotográficas e levantamentos de dados. Organizações não governamentais enfrentam cortes de comunicação e restrições de trabalho.
Conservacionistas alertam que a menor presença no terreno aumenta o risco de mortalidade por atropelamento, conflitos com pessoas e contrabando de animais, especialmente em habitats remotos e áridos, como o Dasht-e Kavir.
Tecnologias e estratégias de proteção
Especialistas defendem o uso de colares com GPS para mapear movimentos e identificar áreas de maior uso de habitat, complemento essencial às câmeras de armadilha. A implementação de infraestrutura que facilita a passagem de animais, como passagens subterrâneas, também é destacada como medida prioritária.
Entretanto, restrições de importação de tecnologia e controle de informações limitam o avanço dessas ferramentas, deixando a coleta de dados mais vulnerável em meio ao conflito.
Perspectivas e dilemas futuros
Os defensores da espécie ressaltam que a conservação precisa de soluções em campo, articulando manejo da presa, proteção de corredores naturais e engajamento de comunidades locais. A escassez de presas e o risco de alterações climáticas agravam o cenário.
Especialistas observam que, sem continuidade de financiamento e apoio institucional, a recuperação pode ficar ainda mais lenta após o fim do conflito. Instituições internacionais destacam a urgência de manter a proteção apesar das prioridades emergenciais do país.
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