- Rathlin Island, no norte da Irlanda do Norte, ficou ferret-free após a erradicação de perretes-fe–ferrets, em um esforço mundial inédito de eliminação de essa espécie invasora de ilhas.
- Os furões foram introduzidos na década de oitenta para controlar coelhos, mas passaram a consumir aves marinhas, aves de terra e seus ovos, levando a um declínio acentuado de aves como pinguins e puffins.
- O projeto Life Raft, liderado pela Royal Society for the Protection of Birds Northern Ireland, investiu 4,5 milhões de libras e utilizou 110 câmeras, drones termográficos e um cão farejador chamado Woody para localizar os animais.
- Com a ausência de ferrets, os sinais iniciais indicam recuperação das aves marinhas; em 2025, a população de puffins atingiu o melhor patamar dos últimos cinco anos, e corncraques nasceram pela primeira vez em décadas.
- A pesquisadora destaca que a erradicação pode beneficiar comunidades locais, com relatos de criação de gado e galinhas mais seguros; especialistas ressaltam o marco como referência global para restauração de ilhas.
Rathlin Island, ao norte da Irlanda do Norte, ficou livre de furões selvagens que dizimavam aves marinhas nativas. O feito é considerado inédito mundialmente, pois nunca houve erradicação completa de furões de uma ilha.
Os furões foram introduzidos na década de 1980 para controlar coelhos, classificados como praga. Em vez disso, eles se multiplaram e passaram a consumir aves marinhas, aves de solo, ovos e filhotes, segundo a gerente do programa Life Raft, da RSPB NI.
Rathlin abriga mais de 250 mil aves marinhas, entre papagaios-do-mar, razorbills, guillemots e shearwaters. A população de pinguins sofreu queda expressiva, com perdas acima de 70% em algumas áreas de nidificação.
Em 2021, foi lançado um projeto de cinco anos, com custo de 4,5 milhões de libras, reunindo a RSPB NI, agências governamentais, outras instituições e a comunidade local, para erradicar os furões na ilha.
Na época, estimou-se a presença de 93 furões na ilha; todos foram capturados por armadilhas. Um conjunto de 110 câmeras, drones térmicos e um cão farejador ajudaram na busca.
Com a ausência de sinais de furões por dois anos, a ilha foi declarada livre desses animais. As câmeras e o cão Woody continuam monitorando para evitar reintrodução.
Sinais iniciais indicam recuperação das aves marinhas. Em 2025, as populações de papagaios-do-mar atingiram o patamar mais alto dos últimos cinco anos, e shearwaters retornaram a nidificar após quatro décadas. Também houve avistamento de corncakes, aves terrestres atualmente em risco.
A retirada dos furões deve trazer benefícios para a comunidade local, com relatos de criação de animais de criação mais seguros para pastos e galinhas, diante do menor risco de predação.
Especialistas ressaltam que a erradicação é um marco mundial, com lições úteis para projetos de restauração de ilhas em décadas futuras. A experiência de Rathlin poderá orientar iniciativas semelhantes ao redor do mundo.
Ferrets são considerados invasivos em várias regiões, incluindo a Nova Zelândia, onde contribuíram para o declínio de aves de nidificação no solo. A preservação de habitats insulares é reforçada pela medida tomada em Rathlin.
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