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China vê IA como questão vital e não admite perder corrida, diz economista

China faz da IA a prioridade do 15º plano quinquenal, buscando autossuficiência tecnológica e reorganização industrial, com crescimento mais moderado

(J Studios/Getty Images)
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  • A China colocou a tecnologia, especialmente a inteligência artificial, como principal prioridade do seu 15º plano quinquenal, aprovado em março.
  • O economista David Daokui Li afirmou que a disputa em IA é decisiva e que o presidente Xi Jinping vê a competição como “vida ou morte” para o país.
  • O plano reorganiza a política econômica com a tecnologia como eixo central, buscando autossuficiência tecnológica e maior ligação entre pesquisa, mercado e inovação.
  • O governo intensificou o desenvolvimento de indústrias emergentes (IA, novos materiais, energia, robótica e biotecnologia) e de tecnologias futuras, mantendo modernização industrial para sustentar o crescimento.
  • O documento também prioriza o consumo interno, ajuste do gasto público para foco em saúde, educação e proteção social, e uma meta de crescimento entre quatro vírgula cinco e cinco por cento, com atenção ao endividamento local e à dependência de petróleo importado.

A China elevou a tecnologia, especialmente a inteligência artificial, a prioridade máxima do seu 15º plano quinquenal, aprovado em março. Economista chinês David Daokui Li disse, em webinar do CEBC, que a disputa em IA é decisiva e o país não admite ficar para trás.

Li, que participou da elaboração do plano, afirmou que a tecnologia passou a liderar as prioridades do país, em detrimento da demanda interna. Segundo ele, o presidente Xi Jinping vê a IA como uma questão de “vida ou morte” para o desenvolvimento.

A mudança reorganiza a política econômica, com a IA como eixo para indústria, finanças e temas sociais. A meta é reduzir dependências externas e acelerar a inovação, mantendo a China competitiva no cenário global.

Autossuficiência como eixo da política tecnológica

A busca por autonomia tecnológica aparece como desdobramento direto da prioridade em IA. A China quer reduzir a dependência de tecnologias estrangeiras, especialmente após restrições externas recentes.

Li destacou que o ambiente universitário tem se flexibilizado, com maior aproximação entre pesquisa e mercado. Universidades são incentivadas a transformar pesquisa em aplicações comerciais.

Governos locais ampliaram fundos públicos para startups, e o mercado de capitais tem mostrado abertura a empresas de alta tecnologia, segundo o economista.

Reorganização industrial e disputa por competitividade

O plano mantém o foco na modernização industrial para sustentar o crescimento a longo prazo. Setores como siderurgia, química, têxtil e construção naval devem incorporar tecnologia e elevar a eficiência.

Há também esforços voltados às indústrias emergentes, como IA, novos materiais, energia, robótica e biotecnologia. Tecnologias futuras, incluindo computação quântica e hidrogênio, entram na agenda.

A estratégia busca manter a competitividade diante de mudanças globais e da ascensão de novos polos industriais. Li afirma que a continuidade desse processo é essencial para o ritmo de crescimento.

Consumo interno e reconfiguração do gasto público

Mesmo com a prioridade tecnológica, o plano reforça a demanda interna. A ideia é estimular consumo e investimento domésticos, fortalecendo o mercado interno.

Mudanças no gasto público apontam para maior foco em saúde, educação e proteção social, em substituição gradual a grandes investimentos em infraestrutura. A ideia é sustentar o consumo no médio prazo.

O documento não estabelece metas explícitas para expansão do bem-estar social, refletindo cautela política e flexibilidade na condução econômica.

Crescimento moderado e ajuste estrutural

O plano indica meta de crescimento entre 4,5% e 5%, com maior ênfase em reformas estruturais que em aceleração econômica. A desaceleração é vista como necessária para ajustes.

Li diz que o desaquecimento é intencional para abrir espaço a reformas, diante de um cenário internacional mais volátil. O país mira maior capacidade de adaptação.

Entre os riscos, o economista aponta a dependência de petróleo importado, estimada em cerca de 73% do consumo. O metanol é estudado como alternativa para reduzir essa exposição.

No nível doméstico, o principal desafio está no endividamento dos governos locais, que respondem por grande parte dos investimentos. Limitações fiscais podem impactar a implementação das políticas.

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