- Em abril de 2026, a Anthropic lançou Claude Mythos Preview, restringindo o uso ao projeto fechado Glasswing após identificar que o modelo consegue localizar vulnerabilidades graves, inclusive em sistemas amplamente usados.
- A IA mostrou capacidade de não apenas apoiar tarefas técnicas, mas também encontrar falhas, explorar vulnerabilidades, zerodays e acelerar ataques em escala e velocidade sem precedentes.
- O projeto envolve empresas como Amazon, Apple, Cisco, Google, JPMorgan Chase, Microsoft e NVIDIA, com objetivo de proteger softwares críticos; bancos e grandes instituições financeiras foram mobilizados para avaliar riscos cibernéticos.
- O universo da saúde já sente o impacto: falhas em infraestrutura digital podem atrasar diagnósticos, interromper fluxos de atendimento e comprometer procedimentos, como em casos de ataques a fornecedores do setor.
- O episódio evidencia que o risco é sistêmico, exigindo governança, coordenação e respostas conjuntas entre empresas, governos e reguladores para preservar confiança, autonomia e integridade institucional.
A IA avançada mostra capacidade de identificar vulnerabilidades e acelerar ataques, sinalizando um salto de patamar para além de apoio técnico. O Claude Mythos Preview, da Anthropic, foi apresentado no início de abril, mas teve o acesso restringido ao Project Glasswing após detectar falhas graves em sistemas amplamente usados.
A iniciativa reúne empresas como Amazon, Apple, Cisco, Google, JPMorgan Chase, Microsoft, NVIDIA e outras, com o objetivo de fortalecer a proteção de softwares críticos. Dias depois, instituições financeiras começaram a avaliar os riscos cibernéticos associados a esse avanço.
O anúncio ocorreu inicialmente nos Estados Unidos, com questionamentos sobre participação de outros países na governança do risco cibernético. A discussão envolve ética, segurança e responsabilidade diante de sistemas cada vez mais autônomos.
Ataques cibernéticos
Para a saúde, o risco é direto: falhas em infraestrutura digital afetam diagnósticos, fluxos de trabalho e cuidados. O caso da Stryker Corporation ilustra como ataques podem adiar cirurgias e gerar impactos clínicos mesmo sem dano direto ao paciente.
A inovação em IA na saúde permanece relevante para eficiência e apoio diagnóstico, mas surge a necessidade de avaliar a resiliência de infraestruturas. Governança, supervisão e resposta integrada passam a ser prioridades na gestão de riscos.
Desafio sistêmico
A Anthropic restringiu o acesso ao Mythos e a resposta de reguladores e grandes instituições mostra que o desafio é técnico, ético e sistêmico. A capacidade de proteger infraestruturas críticas exige cooperação e governança compartilhada entre pares.
Especialistas destacam que, quando sistemas de IA operam em escala de infraestrutura, não basta contenção técnica. É essencial tratar de coordenação, transparência e resposta a incidentes em rede, entre setores público e privado.
Rubens Harb Bollos, médico e líder da ABMPP, ressalta a necessidade de leitura clínica e mediação ética, além da governança compartilhada. O tema, segundo ele, exige diálogo público contínuo e mecanismos de resposta previsível.
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