- A Ipsos divulgou, em pesquisa global realizada entre 23 de janeiro e 6 de fevereiro de 2026 em 31 países, que 71% dos brasileiros defendem ação imediata contra mudanças climáticas, queda frente a 2021 (77%).
- Globalmente, 61% ainda concordam que é preciso agir já; houve queda de expectativa de urgência em todos os países avaliados.
- No Brasil, 71% entendem que o país deve fazer mais para combater as mudanças climáticas, acima da média global de 59%.
- A pesquisa aponta clima visto como problema grave, mas não urgente no cotidiano; questões como custo de vida e segurança tendem a ocupar a maioria das preocupações diárias.
- No âmbito energético, 74% estão preocupados com o aumento dos preços, 63% temem dependência de fontes estrangeiras, 55% aceitariam pagar mais por energia para ter independência, e metade prefere manter preços baixos mesmo com maior emissão de carbono.
O Brasil mantém uma preocupação expressiva com as mudanças climáticas, mas o impulso para agir já não é tão forte quanto antes. Na pesquisa global People and Climate Change, 71% dos brasileiros defendem ações imediatas, frente a 77% em 2021.
A sondagem ocorreu em 31 países, entre 23 de janeiro e 6 de fevereiro de 2026, com a Ipsos. O estudo analisa percepções, atitudes e comportamentos diante da crise climática.
A pesquisa mostra que a responsabilidade individual continua presente, mas perde espaço para a demanda por liderança pública e empresarial. Em 28 dos 31 países, a maioria acredita que pessoas devem fazer mais, ao passo que governos e empresas ganham protagonismo.
No Brasil, 71% dizem que o país deve fazer mais, acima da média global de 59%. O CEO da Ipsos Brasil, Diego Pagura, aponta mudança de mindset: maior cobrança sobre empresas e governos e menor foco apenas no senso individual.
Problemas estruturais, como violência, desigualdade e instabilidade política, competem com a agenda climática. Mesmo com preocupação, há uma tendência de fadiga aliada a pragmatismo, segundo Pagura. A adoção de hábitos sustentáveis permanece limitada por custos e informação.
O estudo aponta que, apesar de a população reconhecer a gravidade do tema, ele não é prioridade no dia a dia. Questões como custo de vida e segurança costumam ocupar o topo das preocupações.
Na área de energia, a pesquisa indica tensões entre custo, segurança energética e sustentabilidade. Em média, 74% temem aumento de preços, 63% veem dependência de fontes estrangeiras e 55% aceitariam pagar mais por energia para ganhar independência.
A COP-30, realizada em Belém (PA) no fim de 2023, é citada como marco. A direção disse que a crise no preço do petróleo intensifica o debate sobre a transição energética, segundo analista ouvido pela reportagem.
A confiança nos governos também aparece em pauta: 32% dos entrevistados acham que seus governos não têm plano claro para a crise climática, ante 30% que discordam. A percepção de liderança brasileira é moderada: 34% veem o Brasil como líder, 31% discordam.
Segundo Pagura, três fatores moldam a percepção de liderança: a clareza de planos concretos, a relação entre agenda local e global e a comunicação sobre impactos. O Brasil sediou a COP-30, o que não garante apoio interno sem ações consistentes.
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