- Steve Green, com a van Cecil, lidera a missão de limpar os 166 barcos de fibra de vidro abandonados nos rios Helford e Fal, em Cornwall, para evitar que partículas tóxicas atinjam o ecossistema.
- A retirada costuma ir para aterro, com custos de descarte chegando a até £ 3.000 por embarcação; Green já pagou £ 1.200 por um iate de 22 pés e depende de doações, crowdfunding e voluntários.
- O processo é lento e requer equipes pequenas; muitas embarcações não têm licença para rastrear os donos, dificultando a responsabilidade pela sucata.
- Pesquisadora Corina Ciocan alerta que fibras de vidro viram microplásticos que entram na cadeia alimentar, com ossos de mariscos contendo milhares de lascas em amostras estudadas; ela defende classificar barcos abandonados como resíduos perigosos.
- Portos marítimos da região, como Falmouth, não conseguem arcar com os custos de remoção, destacando a necessidade de uma economia circular para reciclagem de barcos.
Steve Green, engenheiro naval de Cornwall, atua para limpar canis de barcos abandonados que poluem os estuários de Helford e Fal. Em Truro, ele levou uma caravela degradada para um destino de descarte, sob a vigilância policial, antes do Natal. Cecil, a van VW movida a óleo de prato, acompanha a operação.
Green dirige a organização Clean Ocean Sailing com apoio de voluntários, doações e campanhas de financiamento coletivo. O foco é remover 166 veleiros de fibra de vidro descarte nos arredores da região, cuja degradação libera fibras plásticas no ambiente marinho.
O problema é crônico no Reino Unido e no mundo: barcos fabricados nas décadas de 1960 e 1970 chegam ao fim da vida útil sem plano de destinação. A remoção é onerosa; custos chegam a cerca de £ 1,2 mil para barcos menores e até £ 3 mil para modelos maiores, contribuindo para abandono.
Green explica que o processo de retirada envolve descarregar o casco, remover resíduos, liberar o barco da água e transportá-lo até instalações de descarte. Em muitos casos, o proprietário não é localizado e não há licença para barcos em águas costeiras, dificultando a responsabilização.
Jehol, um veleiro Westerly Centaur de 1970, está entre os alvos de Green. O casco apresentava buraco e infiltração após anos de uso, com reparos custosos que afastaram o proprietário. O resgate envolve retirar lixo, sedimentos e água para que o casco seja removido com a van customizada.
Corina Ciocan, bióloga marinha da Universidade de Brighton, ressalta riscos da fibra de vidro. Estudos destacam fragmentos que entram na cadeia alimentar através de moluscos e plantas marinhas, com potenciais efeitos similares ao amianto. A pesquisadora defende que embarcações abandonadas sejam classificadas como lixo perigoso.
Em Falmouth, o understood de portos locais busca soluções. O chefe-executivo Miles Carden afirma que as despesas vêm aumentando e que não há alternativa imediata além da remoção com recursos do próprio porto. A ideia é incentivar uma economia circular de reciclagem de barcos.
A operação de Green envolve ações de contingência: ele estima custos pessoais, já recorriendo a dívidas, para manter o trabalho em frente. Em cada resgate, um aviso é afixado com prazo de 30 dias para o proprietário reivindicar a embarcação, ação que nem sempre é viável em barcos costeiros sem licenciamento.
O trabalho de devolução aos mares locais é contínuo, com a adesão de voluntários que ajudam com caiaques para alcançar as obras submersas e auxiliar na remoção. A meta é reduzir a poluição de fibras, resíduos e contaminantes que chegam aos ecossistemas.
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