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Sistemas alimentares globais em risco devido ao calor extremo, alerta ONU

Calor extremo ameaça safras e criação de animais, elevando riscos de pobreza e insegurança alimentar para mais de um bilhão de pessoas

Wheat and maize, which has seen a 10% decrease in some areas, is projected to decline further as temperatures rise to more than 1.5C above preindustrial levels.
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  • O Sistema das Nações Unidas alerta que o calor extremo pode comprometer os sistemas alimentares globais, com agricultores sem conseguir trabalhar ao ar livre e mortalidade de animais aumentando.
  • Em regiões já muito quentes, safras de trigo e milho podem cair conforme as temperaturas sobem, com quedas de rendimento já observadas em algumas áreas.
  • O relatório conjunto da Organização das Nações Unidas para a alimentação (FAO) e a Organização Meteorológica Mundial (OMM) aponta que o calor também afeta o abastecimento de peixe em oceanos, por causa da redução de oxigênio na água.
  • Trabalhadores rurais podem enfrentar até 250 dias por ano sem condições seguras de trabalho, em áreas como grande parte da Índia, sul da Ásia, África Subsaariana e partes da América Central e do Sul.
  • Especialistas defendem adaptação rápida, com alertas precoces, proteção aos trabalhadores, diversificação de sistemas agrícolas e medidas que reduzam a dependência de monoculturas para aumentar a resiliência.

O sistema global de alimentação está sob pressão devido a ondas de calor extremas, segundo um relatório conjunto da FAO e da WMO. Agricultores podem ficar impossibilitados de trabalhar ao ar livre por longos períodos, e a mortalidade de animais tende a aumentar. A produção de safristas pode cair, afetando mais de um bilhão de pessoas.

O estudo aponta queda de rendimentos de trigo e milho em várias regiões, com reduções ainda maiores à medida que as temperaturas sobem acima de 1,5°C em relação aos níveis pré-industriais. A umidade e o oxigênio na água também prejudicam peixes em zonas de forte aquecimento oceânico.

Impacto por região e setor

A produção de grãos já apresenta quedas em áreas quentes, incluindo partes da Índia, do sul da Ásia, África Subsaariana e trechos da América Central e do Sul. Em alguns locais, rendimentos de milho caíram cerca de 10%, com trigo registrando tendência semelhante.

A vulnerabilidade se estende ao setor pecuário, onde o estresse térmico ocorre a partir de cerca de 25°C. Leite perde gordura e proteína; criação de porcos e aves enfrenta complicações digestivas, falência de órgãos e choque cardiovascular.

Adaptação e propostas apresentadas

Especialistas ressaltam que previsões climáticas podem alertar agricultores com antecedência, permitindo medidas de proteção. Ações recomendadas incluem sistemas de alerta, treinamento técnico e melhor acesso a informações.

O relatório destaca a necessidade de políticas públicas para complementar as previsões com apoio a trabalhadores rurais. Compensação, alívio de dívidas e investimento em medidas adaptativas são apontados como essenciais a curto prazo, com foco em segurança no trabalho e condições de sombra, água e pausas.

Visões de especialistas

Analistas do World Resources Institute defendem iniciar adaptações já, para manter produtividade sem ampliar emissões por uso da terra. A longo prazo, defendem diversificação de culturas, manejo mais integrado de lavouras e animais, e redução de sistemas monoculturais.

Outras vozes destacam que sistemas alimentares modernos, dependentes de poucos cultivos e insumos, são mais vulneráveis a choques. Especialistas sugerem maior diversidade e prática agroecológica para aumentar resiliência frente a eventos climáticos extremos.

Perspectivas de políticas públicas

Acadêmicos ressaltam que déficits de água, padrões de cultivo e dependência de combustíveis fósseis agravam o problema. A recomendação é acelerar a transição para energias renováveis, ampliar a capacidade de adaptação e investir em tecnologias que protejam safras, animais e comunidades dependentes da agricultura.

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