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Da cientista a produtor de seda, renovação da indústria indiana

Da ciência à sericultura, Índia aposta em tecnologia para ampliar a produção de seda, com sensores automatizados e inteligência artificial detectando doenças com alta precisão

Umamaheswari moved from science to silk farming
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  • A engenheira Drª Jolapuram Umamaheswari deixou a carreira de cientista em Cingapura para ser proprietária de uma fazenda de sericultura nações de Andhra Pradesh, com ciclo de lagartas de 25 a 30 dias e hoje são 10 safras por ano, gerando cerca de US$ 1.000 por mês.
  • A Asho Farms adota tecnologia digital na criação: sensores, controle automático de temperatura e umidade, ventiladores e aquecedores, além de IA para identificar problemas nas lagartas com mais de 99% de precisão.
  • a Índia é o segundo maior produtora de seda no mundo, e oferece todos os quatro tipos comerciais de seda — Mulberry, Tasar, Eri e Muga — sendo este último praticamente exclusivo do país, em especial de Assam e Meghalaya.
  • o Conselho Central da Seda investiga edição do genoma de lagartas para desenvolver variedades resistentes a doenças, além de explorar o uso de subprodutos da sericultura, como pupa de lagarta, para alimentação de aves e peixes; grande parte do trabalho de fiação já usa máquinas.
  • em Andhra Pradesh, Umamaheswari planeja ampliar com um galinheiro e o aproveitamento de dejetos de vaca para adubar as│seringueiras de amoreira, destacando que pequenas melhorias técnicas podem aumentar significativamente o rendimento e a qualidade.

Dr Jolapuram Umamaheswari deixou a carreira de cientista em Cingapura há seis anos para trás e migrou para a sericultura na Índia. Ao retornar ao país, buscava trabalhar por conta própria e empreender com seda a partir de lagartas alimentadas por folhas de amoreira.

Aos poucos, ela aprendeu que a sericultura combina biologia, precisão e negócios. Inicialmente enfrentou surtos de doenças, rendimentos instáveis e uma curva de aprendizado íngreme, fatores comuns no manejo de sistemas vivos.

Com melhorias em higiene, alimentação e controle ambiental, Umamaheswari passou a obter maior taxa de sobrevivência das lagartas e casulos de melhor qualidade. Hoje produz 10 safras por ano, com ciclos de 25 a 30 dias.

Ela recebe cerca de US$ 1.000 por mês, o que dá uma renda estável, semelhante a um salário fixo. A sericultura, quando bem gerida, oferece retornos regulares além da produção sazonal.

Tecnologia e ciência na sericultura

A Asho Farms, liderada por Krishna Tomala, aposta em inovação digital para a produção. O ciclo envolve ovos, larvas, casulos e tecido de seda, com monitoramento automatizado.

Lagartas são sensíveis a temperatura e umidade; sensores ajustam ventilação, aquecimento e umidificação. Na fazenda, inteligência artificial identifica problemas com uso de visão computacional e machine learning.

Câmeras detectam precocemente sinais de doenças com alta precisão, permitindo a remoção rápida de lagartas infectadas e evitando perdas na produção. Tomala destaca que a qualidade das folhas continua essencial.

A Índia é o segundo maior produtor mundial de seda, atrás da China, e oferece um leque diversificado de produtos. A Central Silk Board ressalta que o país concentra as quatro variedades comerciais: Mulberry, Tasar, Eri e Muga.

Perspectivas e desafios

Especialistas apontam avanços na genética de lagartas para resistência a doenças. Há cooperação com parceiros internacionais, inclusive Japão, para desenvolver linhagens mais robustas.

A indústria também busca ampliar o aproveitamento de subprodutos, como o casco de lagarta, que pode virar alimento para aves e peixes.

Satheesh Kannur, da cadeia de reprocessamento da seda, observa que máquinas têm modernizado o desdobramento da seda, aumentando produtividade. Ainda assim, preocupa-se com o abastecimento de casulos.

A Silk Board afirma que, embora o número de agricultores tenha caído, a produção de casulos tem aumentado com técnicas mais modernas e apoio científico.

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