- Kimberley Nixon lançará seu memoir, She Seems Fine to Me, em 7 de maio, abordando a OCD perinatal vivida após o nascimento do filho durante o lockdown.
- A obra descreve pensamentos perturbadores e episódios de ansiedade intensos que levaram a noites sem sono, hiper vigilância e risco percebido para o bebê.
- A mãe relata internação hospitalar e transferência do filho para a unidade de cuidados especiais, além de transfusão de sangue; regras de lockdown dificultaram o acompanhamento de ambos.
- O tratamento incluiu terapia ERP (exposição e prevenção de resposta), paga pela própria atriz a sessões de £100, devido à falta de apoio adequado em saúde perinatal.
- Além da terapia, o apoio do marido, a presença nas redes sociais e, posteriormente, o diagnóstico de autismo e TDAH contribuíram para a recuperação e para a escrita do livro.
Kimberley Nixon apresenta, em formato de memória, o relato profundo de como a OCD perinatal a atingiu após o nascimento do filho durante o lockdown. O livro, intitulado She Seems Fine to Me, traz relatos de pensamentos perturbadores que a assolaram e do impacto na saúde mental durante esse período.
A autora, conhecida por papéis em Angus, Thongs and Perfect Snogging e Fresh Meat, descreve a transição para a maternidade sob condições extremas. O nascimento ocorreu em meio à pandemia, com restrições de apoio, o que agravou a ansiedade e os temores de segurança do bebê.
Publicação com chances de ampliar o debate sobre saúde mental materna coincide com a semana de conscientização. Nixon revela o receio de ser mal interpretada ao expor pensamentos invasivos, que a levaram a questionar se havia algo de errado com ela.
No relato, a gravidez foi precedida por anos de infertilidade e por tratamentos de fertilização. Um episódio durante uma viagem a Londres, com a notícia de um possível aborto, ilustra o clima de incerteza que marcou o período. O marido, com quem está casada há 21 anos, teve papel central no suporte.
Hospital, isolamento e uma primeira noite sem o filho marcaram o início do colapso. O bebê foi transferido para unidade de cuidados especiais com risco de sepse; Nixon ficou em observação com a transfusão de sangue. A partir daí, a percepção de perigo tornou-se constante.
Ao retornar para casa, a vida foi marcada por insônia, hipervigilância e pensamentos intrusivos que se repetiam a todo momento. A mãe passou a duvidar de cada decisão, teme se tornar uma ameaça e chegou a pensar em suicídio, num quadro de OCD grave.
A doença tem um espectro amplo, e no caso de Nixon os pensamentos eram violentos e sexuais, levando-a a refletir sobre o próprio papel de mãe. A terapeuta cognitivo-comportamental, por meio da técnica de exposição e prevenção de resposta (ERP), foi a ferramenta-chave para a recuperação.
Para viabilizar o tratamento, Nixon financiou a terapia com o que restava de sua reserva financeira de atriz. A falta de apoio público em saúde perinatal intensificou o desgaste e a distância entre telefone e acompanhamento presencial nos serviços.
O apoio do marido foi decisivo. Ele manteve a confiança na recuperação e ajudou a manter a criança segura, mesmo quando a própria Nixon duvidava de si. A confiança dele funcionou como âncora durante o período mais difícil.
Também houve avanço a partir de um desfecho inesperado: o compartilhamento de parte da experiência nas redes sociais. O engajamento no Instagram mostrou que a ajuda de outras mães e parceiros existia, fortalecendo a percepção de que a doença não precisa permanecer invisível.
Hoje Nixon segue em recuperação com auxílio médico, técnicas de respiração, diário e medicação. Em 2023 foi diagnosticada com autismo e TDAH, o que ajudou a entender melhor seu modo de pensar e lidar com as dificuldades.
A autora investe em projetos de divulgação, como uma apresentação solo sobre a experiência com a maternidade, e prepara a divulgação do livro, com lançamento previsto para maio. A obra e a trajetória de recuperação visam desestigmatizar a OCD perinatal.
Em síntese, o relato de Nixon oferece um retrato claro do impacto da OCD na vida pós-parto, destacando a necessidade de tratamento adequado, apoio contínuo e abertura para falar sobre saúde mental sem tabus. A publicação reforça a importância do tema durante a semana de conscientização materna.
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