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Minérios críticos: o óleo do século XXI que alimenta pobreza e poluição

Relatório da UNU-INWEH aponta que minerais críticos alimentam pobreza e crises de saúde, com alto consumo de água e poluição em comunidades de mineração

Brine pools at a lithium mine on Chile’s Atacama salt flats. Latin America’s lithium triangle holds some of the world’s largest reserves of the metal.
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  • Estudo da UNU-INWEH afirma que minerais críticos como lítio, cobalto e níquel estão virando o “óleo do século XXI”, com a demanda elevando pobreza e crises de saúde em comunidades vulneráveis.
  • Em dois mil e vinte e quatro, foram usados 456 bilhões de litros de água para extrair 240 mil toneladas de lítio, com poucos benefícios para as populações afetadas pela transição energética.
  • A demanda por minerais energéticos tem crescido, com o lítio registrando alta de quase trinta por cento em dois mil e vinte e quatro; a produção de terras raras quase triplicou entre 2010 e 2023.
  • A extração de cobalto na República Democrática do Congo tem contaminado rios usados para água, pesca e irrigação na região sudeste de Lualaba.
  • O relatório defende padrões globais obrigatórios, controle de resíduos tóxicos e monitoramento independente de uso da água para evitar que a transição verde agrave pobreza e impactos ambientais.

A ONU afirma que minerais críticos como lítio, cobalto e níquel estão se tornando o “óleo do século 21”, com a corrida por esses metais exacerbando pobreza e crises de saúde em comunidades vulneráveis. O estudo é do UNU-INWEH, o instituto de água, ambiente e saúde da Universidade das Nações Unidas.

A pesquisa aponta que a demanda crescente por baterias e microchips drena fontes hídricas, reduz áreas agrícolas e expõe população a metais pesados nocivos. Em 2024, foram usados 456 bilhões de litros de água para extrair 240 mil toneladas de lítio, sem que boa parte dos benefícios alcance as comunidades afetadas.

O relatório destaca ainda que o custo social da transição energética não fica restrito aos balanços de carbono. A produção de recursos como terras raras quase triplicou entre 2010 e 2023, à medida que veículos elétricos e chips avançados ganham espaço no mercado.

Impactos ambientais e sociais

A pesquisa afirma que, no longo prazo, veículos elétricos podem reduzir emissões, mas quem paga o preço ambiental está em regiões de mineração na África e na América Latina. Em 2024, cerca de 700 milhões de toneladas de resíduos foram gerados pela produção global de terras raras, segundo o estudo.

Na República Democrática do Congo, um dos maiores produtores de cobalto, a extração tem associado à contaminação de rios usados para consumo, pesca e irrigation na província de Lualaba. A região abriga a indústria de mineração de forma intensiva, com impactos locais significativos.

Regiões específicas e recursos hídricos

A região conhecida como Triângulo do Lítio, que atravessa Argentina, Bolívia e Chile, concentra grandes reservas de lítio, em áreas de ecossistemas áridos. Em Uyuni, Bolívia, comunidades sofrem com queda de produtividade agrícola, enquanto no Salar de Atacama, no Chile, a extração consome parte expressiva da água local, comprometendo lagoas.

Especialistas ressaltam que o uso de salmões de bebidas e resíduos de processamento químico pode poluir rios e aquíferos, atingindo comunidades vizinhas. A situação é agravada pela escassez de água em desertos altos e pela concorrência entre mineração, alimentação e consumo humano.

Regulação e resposta

Os autores do estudo defendem normas globais obrigatórias de due diligence, controles mais rígidos sobre resíduos tóxicos e monitoramento independente do uso de água e da contaminação por metais pesados. Sem mudanças, a transição verde pode repetir padrões de exploração de combustíveis fósseis, com ganhos para nações ricas e custos para comunidades pobres.

Observa-se mobilização de governos e comunidades em resposta a conflitos e impactos locais. Protestos contra projetos de lítio já ocorreram em Argentina e Chile, enquanto a Indonésia restringiu exportações de matéria-prima, sinalizando uma tendência de maior controle estatal sobre o setor.

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