- Um relatório das Nações Unidas aponta que a transição para energia limpa impõe custos desproporcionais a comunidades locais, com a extração de minerais de transição ligada à insegurança hídrica, distúrbios de subsistência e riscos à saúde.
- O estudo destaca minerais como lítio, cobalto, cobre e terras raras, cuja extração pode esgotar e contaminar recursos de água em regiões já com pressão hídrica.
- Globalmente, atividades de mineração têm relação com a redução do acesso à água potável e maior risco de doenças; na República Democrática do Congo, há contaminação de água e doenças associadas à exposição a metais.
- A DRC é citada como exemplo central, respondendo por mais de sessenta por cento da produção mundial de cobalto, com oitenta por cento da extração controlada por atores estrangeiros, resultando em poucos benefícios econômicos locais.
- O relatório recomenda passar de padrões voluntários para estruturas de governança global vinculantes, com regulações rígidas de uso da água, políticas de descarga zero e mecanismos de responsabilização.
Apenas com base em um relatório da ONU, uma investigação aponta custos desproporcionais da transição para energia limpa. O estudo relaciona a extração de minerais de transição usados em tecnologias verdes a insegurança hídrica, impactos na subsistência e riscos para a saúde de comunidades locais.
Os autores destacam que tecnologias para combater o aquecimento global também ampliam desigualdades, principalmente devido ao uso intenso de água na operação de mineração. O levantamento cita lítio, cobalto, cobre e terras raras como exemplos de impactos diretos sobre recursos hídricos.
Conducido pela UNU-INWEH, o estudo ressalta que o consumo global de minerais críticos cresceu entre 2010 e 2023, e que a demanda por alguns itens pode dobrar ou triplicar até 2050 para cumprir metas climáticas. O relatório aponta desequilíbrios entre norte global e sul global.
Segundo o responsável pela equipe de pesquisa, mudanças estruturais são necessárias. Em foco estão padrões de governança vinculantes, regulações rígidas de uso da água, políticas de descarga zero e mecanismos de responsabilização eficazes para proteger direitos humanos e o meio ambiente.
O relatório destaca que, em países como a República Democrática do Congo, maior produtor mundial de cobalto, a contaminação da água associada à mineração está ligada a problemas de saúde, com pouca distribuição de benefícios econômicos diante do controle estrangeiro da atividade.
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