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Estudo aponta maiores riscos para adolescentes desfavorecidos nas redes sociais

Uso problemático das redes sociais eleva riscos de bem-estar entre adolescentes, com impactos mais acentuados entre grupos socioeconomicamente desfavorecidos

EF Stock/Shutterstock
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  • Estudo do Relatório Mundial da Felicidade 2026, em parceria ONU e Universidade de Oxford, analisou quarenta e três países e mais de trezentos e trinta mil jovens.
  • O uso problemático das redes sociais está ligado a menor bem-estar, com mais queixas psicológicas e menor satisfação com a vida.
  • Os efeitos variam por região e por condição socioeconômica, sendo mais acentuados em países anglo-celtas e mais fracos no Cáucaso e Mar Negro; a desigualdade aparece principalmente na avaliação da vida.
  • A origem socioeconômica molda os riscos e oportunidades enfrentados pelos jovens no ambiente online, com desigualdades mais visíveis na satisfação com a vida.
  • Entre 2018 e 2022, a ligação entre uso problemático e baixo bem-estar ficou mais forte, sem que as desigualdades se ampliassem significativamente na maioria das regiões.

O uso problemático das redes sociais entre adolescentes está ligado ao bem-estar, variações societais e econômicas. Dados de mais de 330 mil jovens em 43 países indicam que o impacto não é homogêneo. O estudo faz parte do Relatório Mundial da Felicidade 2026, produzido pela ONU em parceria com a Universidade de Oxford.

A pesquisa avaliou o uso excessivo das redes e associou-o a sinais de desconforto psicológico, como depressão, ansiedade, irritação e dificuldades para dormir. Também houve menor satisfação com a vida entre aqueles com uso mais intenso. O padrão foi observado em todos os países analisados, com intensidade variando por região.

Globalmente, adolescentes de origem socioeconômica mais baixa mostraram maiores vulnerabilidades aos efeitos negativos. Renda, condições de vida e recursos familiares parecem influenciar o nível de risco e as oportunidades para lidar com a pressão online.

Contexto socioeconômico importa

Os resultados sugerem que o status socioeconômico molda ativamente os riscos. Diferenças aparecem principalmente na satisfação com a vida, mais sensível a comparaçōes sociais, do que nas queixas psicológicas. O que os jovens veem nas redes amplifica percepções de oportunidades.

Entre as regiões, as disparidades nas queixas psicológicas costumam ser menores na Europa continental, mas mais evidentes em países anglo-celtas. Já a diferença na satisfação com a vida tende a aparecer em várias regiões, ainda que com variações locais.

Evolução ao longo do tempo

Entre 2018 e 2022, a relação entre uso problemático e baixo bem-estar ficou mais forte. O aumento pode refletir a maior presença das tecnologias digitais na vida dos jovens, especialmente durante a pandemia de COVID-19. Os padrões, no entanto, permaneceram observáveis em todos os grupos socioeconômicos.

Mesmo com a intensificação, as desigualdades não se ampliaram de forma uniforme em todas as regiões. A magnitude das diferenças variou conforme o contexto local e o tipo de bem-estar avaliado.

Implicações para políticas públicas

Os autores defendem políticas não homogêneas, que considerem as realidades sociais. Intervenções devem mirar os adolescentes mais vulneráveis e respeitar as diferentes trajetórias regionais. A ideia é reduzir riscos sem desconsiderar as particularidades de cada grupo.

A equipe de pesquisa inclui Roger Fernandez-Urbano, Maria Rubio-Cabañez e Pablo Gracia, com financiamentos de institutos europeus e do Ministério da Ciência, Inovação e Universidades da Espanha. Fontes de apoio também chegam por meio de projetos europeus de pesquisa.

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