- Em Dang, Nepal, aos agricultores usa-dehari, potes de barro passados entre gerações, para armazenar grãos e protegê-los do calor e de inundações.
- A dehari é feita de barro, casca de arroz e esterco; leva cerca de uma semana para ficar pronta e um mês para secar, e pode durar mais que o fabricante se mantida seca.
- Em Terai, comunidades indígenas como Tharu e Yadav utilizam as dehari para guardar grãos, protegendo contra temperaturas acima de quarenta graus Celsius e cheias sazonais.
- As dehari são tecnologia de armazenagem sustentável, sem energia elétrica, com secagem ao sol e elevação do local de guarda para reduzir umidade e perdas pós-colheita.
- Embora eficazes, as dehari não são à prova de insetos, roedores ou aves sem monitoramento; muitas vezes ficam dentro de casa, perto da cozinha, e plataformas elevadas podem ajudar em áreas sujeitas a inundações.
DANG, Nepal — Com a chegada do verão, agricultores nepaleses enfrentam o desafio de manter grãos protegidos do calor extremo e de infestações. Em Dang, no oeste do país, a agricultora Chattrapati Yadav utiliza potes de barro feitos à mão para armazenar alimentos, prática passada entre gerações.
Yadav, de 70 anos, aprendeu o ofício com a mãe e ensina às filhas e netas. Ela aponta os recipientes cilíndricos e retangulares, produzidos com barro, casca de arroz e esterco. A técnica sobrevive ao tempo e às mudanças climáticas.
Pelo Terai, comunidades indígenas como Tharu e Yadav mantêm grãos seguros através do dehari, um bin de armazenamento tradicional. O objetivo é proteger a produção durante o calor intenso e as cheias sazonais.
Clima e armazenamento
No Terai, onde as temperaturas máximas passam de 40°C no verão, a dehari funciona como isolamento natural. Solo, casca e esterco ajudam a manter a umidade adequada, segundo Buddhi Ram Chaudhary, pesquisador na área.
A prática recomenda secar grãos ao sol e mantê-los elevados do chão. Em áreas com mais ventilação, a umidade diminui, aumentando a proteção contra mofos e danos.
Yadav explica que a produção leva cerca de uma semana para preparar as peças e um mês para secar. Em caso de proteção contra a água, a dehari pode durar além de quem a fez.
Eficiência e sustentabilidade
Segundo Chaudhary, as dehari não demandam energia elétrica para manter a temperatura, o que reduz o consumo de energia. O uso de esterco, barro e casca evita impactos ambientais típicos de armazenagens com plástico.
Especialistas destacam que essas técnicas ajudam a reduzir perdas pós-colheita por insetos, fungos, roedores e estresses climáticos, fortalecendo a segurança alimentar em comunidades rurais.
Tilak Dhakal, presidente de uma cooperativa de produtores, afirma que práticas como a dehari preservam variedades locais mais resistentes ao clima. Ele ressalta a importância de manter técnicas tradicionais aliadas a estratégias modernas de manejo.
Limitações e monitoramento
Apesar de eficazes, os métodos tradicionais não são infalíveis. Deharis não são à prova de pragas e exigem monitoramento constante para evitar umidade e deterioração. Muitas vezes ficam dentro de casa, junto à cozinha, para reduzir riscos.
Shrestha aponta que a vulnerabilidade a alagamentos pode ser mitigada com plataformas elevadas de madeira ou bambu, e com pilares de concreto em áreas de enchentes recorrentes. A prática continua sendo ajustada para o contexto atual.
Yadav celebra a transmissão da habilidade para a neta. Segundo ela, manter o bin seco é a chave para a confiabilidade a longo prazo, mesmo diante de mudanças climáticas.
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