- Em 2023, 608 milhões de mulheres com 15 anos ou mais já haviam sido agredidas pelo parceiro, correspondendo a 20,1% do total global; África subsaariana apresenta a taxa mais alta, 22,6%.
- A região Europa e Ásia soma 12,4% (mais bem posicionada), seguida por América Latina e Caribe com 14,7%; no Brasil, a taxa é de 10,4% e Cuba tem 6,5%.
- A violência de gênero causa impactos de longo prazo na saúde, com perdas de anos de vida saudável que cresceram globalmente de 12,8 milhões (1990) para 18,5 milhões (2023).
- No Brasil, os índices de anos de vida saudável perdidos aumentaram de 297 mil para 513 mil, e a taxa por 100 mil mulheres subiu de 567,3 para 594,1.
- A pesquisa aponta necessidade de ações integradas (educação, saúde, Justiça, apoio psicológico e social), além de maior agilidade judicial, com casos de violência doméstica demorando cerca de 429 dias para serem julgados e fila de 1,3 milhão de processos.
O estudo Global Burden of Disease, coordenado pela University of Washington, aponta que a violência doméstica contra mulheres não é apenas uma questão de segurança, mas de saúde pública. Entre 1990 e 2025, ele quantifica perdas de saúde decorrentes de doenças, lesões e fatores de risco.
Em 2023, 608 milhões de mulheres com 15 anos ou mais já haviam sido agredidas pelo parceiro íntimo, o que representa 20,1% desse grupo global. A África Subsaariana registra a taxa mais alta, 22,6%. Europa e Ásia, 12,4%; América Latina e Caribe, 14,7%. No Brasil, a taxa foi de 10,4%.
No âmbito global, as agressões causaram 12,8 milhões de anos de vida saudável perdidos em 1990, subindo para 18,5 milhões em 2023. Mesmo assim, a taxa por 100 mil mulheres caiu de 686,5 para 624,4. No Brasil, houve aumento de 297 mil para 513 mil anos perdidos, e de 567,3 para 594,1 anos por 100 mil.
Os impactos de longo prazo vão além da violência ocorrida no presente. Mulheres atingidas apresentam depressão, ansiedade, autolesão, uso de drogas, HIV e abortos, inclusive após a separação. A saúde mental e física pode sofrer por anos.
A violência doméstica exige ações integradas envolvendo educação, saúde e Justiça, com apoio psicológico e social, campanhas de conscientização, delegacias e varas especializadas, além de medidas protetivas e acolhimento às vítimas. A monitorização estatística é essencial.
Segundo dados do CNJ, os casos de violência doméstica demoram em média 429 dias para serem julgados, e a fila de processos pode chegar a 1,3 milhão. A impunidade amplia o ciclo de violência e fragiliza as vítimas, segundo especialistas.
A pesquisa ressalta a necessidade de respostas ágeis e estruturadas para reduzir danos a longo prazo. Medidas de proteção, acompanhamento médico e psicológico, e políticas públicas anuais são apontadas como essenciais para reduzir impactos na saúde e na vida das mulheres.
Fontes: Global Burden of Disease, The Lancet, CNJ.
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