- 45,2% dos ataques começam por falhas básicas, como configurações, software ou identidade inadequados.
- 26,2% dos incidentes envolvem credenciais válidas; mais de 70% das invasões usam esses dois vetores.
- Panorama do Risco Cibernético no Brasil 2026 aponta aumento de 3,7% na probabilidade de ataque bem-sucedido; contudo, a redução do risco total foi de 2,8% apesar do avanço na segurança.
- O estudo analisou 132 organizações em 11 setores da economia.
- A maior falha é a resposta: apenas 23% das empresas possuem processos estruturados para manter operações após um incidente, e muitos planos estão desatualizados.
Quase metade dos ataques hackers no Brasil tem origem em falhas básicas, aponta estudo recente. Configurações inadequadas e vulnerabilidades já conhecidas aparecem como gatilhos recorrentes em diferentes setores, mesmo com avanços em segurança digital. O levantamento analisou 132 organizações em 11 setores para chegar aos resultados.
Segundo o Panorama do Risco Cibernético no Brasil 2026, elaborado pela Vultus, a probabilidade de um ataque bem-sucedido subiu 3,7% no último ano. O estudo aponta que, apesar dos investimentos em tecnologia, as falhas básicas continuam a ampliar a superfície de ataque.
O documento indica ainda que, embora haja evolução de 5,6% no nível de segurança, o risco total diminuiu apenas 2,8%. Esse recuo é considerado pequeno diante dos avanços tecnológicos e das medidas de proteção adotadas pelas organizações.
Principais vetores de ataque
Entre os vetores mais comuns, 45,2% das invasões começam por falhas como configurações inadequadas, software desatualizado ou fraquezas na gestão de identidade. Credenciais válidas aparecem em 26,2% dos casos, e mais de 70% das invasões utilizam os dois caminhos combinados.
A engenharia social permanece como caminho eficiente para o ataque, com casos de phishing ainda frequentes. Em simulações com mais de 80 mil interações, três usuários de cada 34 compartilharam credenciais após abrir um e-mail suspeito; em situações reais, 51% dos usuários que clicaram acabam fornecendo senhas.
Outros indicadores do estudo reforçam o problema: 38,1% dos ambientes em nuvem não adotam autenticação multifator, 35,7% dos ataques exploram senhas fracas, 21,4% utilizam credenciais vazadas fora da empresa e 23,8% conseguem acesso a VPN sem informações prévias.
Risco setorial e impactos
O risco não se concentra em um único setor, mas se distribui por diversas áreas da economia. Serviços, tecnologia e saúde aparecem entre as mais vulneráveis devido à complexidade operacional e à dependência digital. Quanto maior a conectividade e o volume de dados, maior a superfície de ataque.
Entre os setores com maior indicador de risco, aparecem Serviços (8,21), Tecnologia (8,12) e Saúde (7,96). Financeiro, Mercado de Capitais e Telecomunicações também apresentam índices elevados, refletindo desafios de implementação constante de controles de segurança.
Capacidade de resposta das organizações
O estudo aponta que a maior dificuldade não está apenas na entrada dos ataques, mas na resposta eficaz das empresas. Apenas 23% das organizações possuem processos estruturados para manter operações após um incidente. Mesmo entre essas, planos costumam estar desatualizados ou não cobrirem riscos reais.
A leitura aponta que o aperfeiçoamento técnico é acompanhado por lacunas na resposta a incidentes. Organizações costumam detectar ameaças, mas nem sempre conseguem agir de forma planejada para conter danos ou restaurar serviços rapidamente.
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