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Brasil se prepara para ampliar cuidados a pacientes crônicos

Desigualdade de acesso e modelo reativo desafiam o cuidado contínuo a pacientes com doenças crônicas no Brasil

Além de sua contribuição para a mortalidade, as doenças crônicas afetam a qualidade de vida e oneram o sistema de saúde.
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  • Em 2024, doenças crônicas não transmissíveis foram responsáveis por mais de 300 mil óbitos no Brasil, segundo dados preliminares do Ministério da Saúde e parceiros.
  • DCNTs elevam o uso de consultas e internações, especialmente quando há comorbidades e acesso desigual aos serviços.
  • O modelo de atenção à saúde permanece majoritariamente reativo e fragmentado, destacando a necessidade de acompanhamento contínuo e prevenção eficaz.
  • Acesso ao cuidado é desigual por fatores socioeconômicos e regionais, ressaltando a importância da atenção primária integrada a outros níveis de cuidado.
  • Tecnologias de monitoramento e cuidados paliativos podem apoiar um cuidado mais proativo e centrado no paciente, exigindo mudança de paradigma para um cuidado contínuo, integrado e sustentável.

O Brasil enfrenta um desafio crescente com as doenças crônicas não transmissíveis (DCNT), como diabetes, hipertensão, câncer e doenças respiratórias. Dados preliminares de 2024 indicam mais de 300 mil óbitos atribuídos a DCNT, segundo o Painel de Monitoramento da Mortalidade Prematura do Ministério da Saúde e parceiros de pesquisa. A necessidade de respostas estruturadas é urgentemente reforçada.

Além do impacto na mortalidade, as DCNT reduzem qualidade de vida e elevam o uso de serviços de saúde. Pacientes com condições crônicas costumam ter mais consultas e hospitalizações, principalmente quando há comorbidades e acesso desigual aos serviços de saúde.

O modelo atual é majoritariamente reativo: muitos atendimentos acontecem apenas após o agravamento do quadro. A fragmentação aumenta custos e reduz a eficácia do tratamento, destacando a necessidade de cuidado contínuo que vá além de intervenções pontuais.

Desafios estruturais

Apesar de avanços em políticas de atenção básica, o Brasil ainda não oferece cuidado verdadeiramente coordenado. A desigualdade de acesso a diagnóstico, tratamento e acompanhamento persiste entre regiões e faixas socioeconômicas, atingindo populações vulneráveis.

A atenção primária, porta de entrada do SUS, precisa de integração efetiva com outros níveis de cuidado para garantir continuidade e coordenação. Sem isso, o vínculo com o paciente e o monitoramento da doença ficam comprometidos.

Tecnologia pode ampliar o alcance: monitoramento remoto, gestão integrada e análise de dados clínicos ajudam na detecção precoce de agravamentos, ajuste de tratamento e decisões clínicas antes de emergências.

Caminhos e abordagens

Os cuidados paliativos ganham relevância no manejo de DCNT. Eles não estão restritos ao fim da vida, atuando no diagnóstico e no controle de sintomas, com foco na qualidade de vida e no suporte emocional.

A mudança de paradigma proposta envolve passar de um modelo reativo para um cuidado contínuo, integrado e centrado no paciente. Isso exige fortalecimento da atenção básica, uso de tecnologia, prevenção e inclusão de cuidados paliativos.

Conclui-se que, embora haja avanços, o país precisa de estratégias estruturais para tornar o cuidado com pacientes crônicos mais eficiente, humano, acessível e sustentável diante do envelhecimento populacional e das mudanças epidemiológicas.

Samanta Gaertner Mariani

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