- Natasha Walter lança o livro Feminism for a World on Fire, defendendo que mulheres sofrerão mais com incêndios e inundações e que o feminismo mainstream não tem ligado esse eixo suficientemente.
- Ela propõe eco-feminismo, criticando o feminismo corporativo/individualista e buscando uma visão que una clima e justiça social diante da crise.
- A autora afirma que “todas as ameaças às mulheres parecem ser ampliadas pela mudança climática” e cita dados de que mulheres enfrentam maiores riscos em desastres e escassez de recursos.
- O livro também aborda conflitos entre direitos trans e direitos das mulheres, defendendo o reconhecimento de divergências sem demonizar pessoas trans, e mantendo uma defesa do feminismo liberal.
- Walter relata uma transformação após conhecer mulheres curdas de Rojava, que mostram uma governança igualitária entre homens e mulheres, ainda que reconheça que aquele modelo não se aplica diretamente ao ocidente liberal.
Natasha Walter apresenta sua nova visão sobre feminismo e crise climática no contexto de uma sociedade em alerta. Em uma manhã ensolarada, a autora fala com exaustão sobre como desastres e pressões sociais afetam mulheres, em especial em cenários de fogo, inundação e seca.
O livro Feminism for a World on Fire propõe uma leitura em que o aquecimento global acentua vulnerabilidades femininas, sobretudo em regiões com recursos escassos. Walter defende que o feminismo precisa dialogar com questões ambientais para evitar o aprofundamento das desigualdades.
Em entrevista ao Guardian, a autora critica o uso excessivo de soluções individualistas no ativismo feminista e aponta a necessidade de mudanças estruturais. Ela defende uma ecologia feminista como núcleo de respostas aos diferentes tipo de crise.
Eco-feminismo no centro do debate
Walter destaca que o ativismo ambiental sem perspectiva de gênero deixa o patriarcado intacto, e vice-versa. Segundo ela, a relação entre crise climática e violência contra mulheres já aparece em dados de desastres passados, incluindo eventos como enchentes e incêndios.
A autora cita estudos que indicam maior mortalidade de mulheres em determinados desastres e descreve como deslocamentos forçados elevam riscos de violência sexual. Em sua visão, entender esse vínculo é fundamental para políticas de proteção.
A conversa também aborda a tensão entre direitos trans e direitos das mulheres. Walter afirma apoiar pessoas trans e reconhecer a diversidade de identidades, sem abandonar o conceito de sexo biológico como referência, e ressalta a importância do diálogo para evitar criminalizar grupos.
Caminhos e limites do movimento
Ao falar de estratégias, ela cita a ativação de redes de mulheres refugiadas como exemplo de endurecimento da prática Feminista, sem perder a vigência de valores liberais. A autora reforça a necessidade de construir coalizões entre feminismo, justiça climática e participação pública.
Sua visita a uma milícia curda em Rojava é apresentada como experiência que alimentou sua visão de justiça social, ainda que reconheça limites de modelos autoritários em contextos ocidentais. A ideia central é buscar equilíbrio entre coletivismo e liberdades individuais.
A obra também discute a dificuldade de articular pautas de gênero sem que disputas identitárias ofusquem a agenda de direitos das mulheres. Walter ressalta a urgência de manter o foco em mudanças estruturais, sem abrir mão de princípios do liberalismo democrático.
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