- A temporada atual da hantavírus na Argentina acumula 101 casos confirmados desde junho de 2025, contra 57 no mesmo período da temporada anterior.
- O país registrou 32 mortes, o maior número de óbitos em anos recentes.
- O surto está ligado ao movimento do casal holandês que viajou pelo país e morreu a bordo do cruzeiro MV Hondius, que partiu de Ushuaia em 1º de abril e segue para as Ilhas Canárias.
- Especialistas apontam mudanças climáticas e destruição de habitats como fatores que ajudam a expansão do hantavírus, com a região central respondendo pela maior parte dos casos, especialmente a província de Buenos Aires, com 42.
- Autoridades vão a Ushuaia para monitorar roedores ligados à rota do casal; a cronologia indica que eles estiveram na Terra do Fogo entre 29 de março e 1º de abril, mas não há confirmação de visita a um aterro.
Casos de hantavírus na Argentina quase dobraram no último ano, com 101 casos confirmados nesta temporada e 32 mortes, segundo o Ministério da Saúde. O indicador aponta para o pior desempenho desde 2018.
O aumento ocorre em meio a um surto associado ao navio de cruzeiro MV Hondius. O consumo de informações aponta que o casal holandês, que viajou por várias regiões do país, morreu durante o contágio no navio, que saiu de Ushuaia em 1º de abril.
Além disso, a temporada 2025-2026 registrou números elevados, com Buenos Aires liderando os casos (42). Quatro áreas do território argentino costumam ter maior risco: Noroeste, Nordeste, Centro e Sul, incluindo Misiones, Neuquén e outras.
Causas associadas ao aumento
Especialistas apontam mudanças climáticas e a degradação de habitats como fatores que ampliam a circulação do hantavírus. Fenômenos extremos, como secas e chuvas intensas, favorecem a presença do roedor transmissor.
A explicação envolve também a ampliação de áreas úmidas e de plantações, que atraem roedores, além de deslocamentos humanos para ambientes rurais e periurbanos. A proximidade com roedores aumenta o risco de contato com urina ou fezes infectadas.
Sobre o episódio no navio MV Hondius
Investigação aponta que a origem da transmissão a bordo não é completamente compreendida. A equipe de saúde recebe roedores para estudo em Ushuaia, mas a cronologia de embarques indicaria que o casal pode ter se contaminado antes ou durante a viagem terrestre.
Peritos ressaltam que a cepa andina do hantavírus, associada ao surto, costuma exigir contato próximo com um roedor infectado para transmissão, diferentemente de agentes respiratórios humanos. O vírus não se propaga facilmente entre pessoas.
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