- Técnica milenar indiana, criada há mais de três mil anos, usa barro e argila queimada para resfriar ambientes sem energia elétrica.
- O princípio envolve absorção de calor pela argila durante o dia e liberação gradual à noite, além da evaporação da água na superfície porosa da terracota.
- Estudos indicam quedas térmicas entre 5,9°C e 15,7°C em estruturas com tubos de barro usados como resfriadores evaporativos.
- O projeto Beehive, de Monish Siripurapu, usa centenas de cones de barro úmidos para reduzir a temperatura do ar que passa pelo conjunto, funcionando sem energia.
- A aplicação doméstica reúne vasos de barro não esmaltados cheios de água, posicionados em janelas ou passagens de vento, que ajudam a refrescar ambientes em climas secos.
Em meio ao calor intenso que ameaça o consumo de energia, uma técnica milenar criada na Índia volta a ganhar destaque. Trata-se de um método de resfriamento passivo feito com barro e argila que não depende de ar-condicionado.
A ideia surgiu na antiga Civilização do Vale do Indo. A argila absorve calor durante o dia e libera aos poucos à noite, ajudando a estabilizar a temperatura interna das construções.
A superfície porosa da terracota permite evaporação gradual da água, retirando calor do ambiente. Estudos indicam reduções entre 5,9°C e 15,7°C em estruturas com tubos de barro usados como resfriadores evaporativos.
Beehive: aplicação contemporânea
O projeto Beehive, desenvolvido pelo arquiteto indiano Monish Siripurapu, usa centenas de cones de barro em formato de colmeia. A água percorre as peças e, ao passar pelo ar quente, ocorre queda de temperatura.
Em uma fábrica de eletrônicos em Nova Délhi, com 50°C externos, o sistema reduziu o ar circulante para cerca de 36°C sem energia elétrica. Estruturas semelhantes já surgem em aeroportos, escolas e edifícios comerciais.
A técnica também tem sido adotada em fachadas com painéis de terracota para bloquear radiação solar direta e reduzir ruídos. A versão doméstica envolve vasos de barro não esmaltados, cheios de água e colocados próximos a janelas ou corredores de vento.
Desempenho em clima seco favorece o resfriamento, principalmente no Centro-Oeste e no sertão nordestino. Em regiões úmidas, o efeito é menor, mas a prática pode reduzir o uso de ventiladores e aparelhos elétricos.
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