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Sedentarismo aumenta estresse na meia-idade, aponta estudo

Sedentarismo entre 31 e 46 anos eleva a carga alostática em 17%, aumentando risco de hipertensão e doenças cardíacas na meia-idade, segundo estudo com 3.300 adultos

Sedentarismo eleva carga de estresse na meia-idade, aponta pesquisa
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  • Estudo finlandês acompanhou 3.300 adultos por 15 anos e mostrou que o sedentarismo aumenta a carga alostática, 17% maior no grupo com pouca ou nenhuma prática de atividade física.
  • Sedentarismo foi definido como menos de 150 minutos de exercício moderado a vigoroso por semana, conforme diretriz da Organização Mundial da Saúde.
  • Mais da metade dos participantes (1.800) ficou classificada como “inativa estável” e apresentou os maiores marcadores biológicos de estresse na meia-idade.
  • O estresse crônico eleva a pressão, glicose, inflamação e o risco de hipertensão, arritmias, doença coronariana e eventos cardiovasculares agudos.
  • Conclusão: começar a se exercitar na meia-idade reduz a carga de estresse; quem aumentou a atividade entre 31 e 46 anos chegou a níveis de estresse similares aos de quem já era ativo desde o início.

O sedentarismo eleva a carga de estresse no organismo desde a meia-idade, aponta estudo finlandês. A pesquisa acompanhou 3.300 adultos ao longo de 15 anos para identificar impactos da inatividade física. Verificou-se que a falta de atividade desencadeia alterações biológicas associadas ao estresse.

O estudo avaliou padrões de atividade e identificou que, a partir dos 50 anos, o corpo permanece em um estado de ativação crônica do sistema de estresse. Esse desgaste foi mais intenso entre quem teve pouca ou nenhuma prática de exercícios entre os 31 e 46 anos.

A carga alostática, indicador do desgaste do sistema nervoso, ficou 17% maior no grupo sedentário ou com queda na prática entre 31 e 46 anos. O acompanhamento envolveu pessoas definidas como sedentárias por menos de 150 minutos de atividade semanal.

Dados e métodos

Mais da metade dos participantes não atingiu o nível recomendado de atividade em nenhum momento do acompanhamento. Esses 1.800 voluntários foram classificados como inativos estáveis e apresentaram os maiores marcadores biológicos de estresse na meia-idade.

Foram usados dois indicadores de carga alostática, com resultados consistentes: tanto para quem nunca se exercitou quanto para quem reduziu a atividade ao longo da vida adulta, houve elevação do estresse biológico.

Implicações para a saúde

Os pesquisadores destacam uma via de mão dupla entre estresse e sistema cardiovascular: o estresse agrava o funcionamento do coração e, por sua vez, disfunções circulatórias elevam marcadores de estresse, gerando um ciclo adverso ao organismo.

O cardiologista Murilo Meneses, do Einstein Hospital, explica que hormônios como cortisol e adrenalina são normais em resposta pontual. Em uso frequente ou crônico, surgem alterações na pressão, glicose, colesterol e inflamação.

Isso aumenta o risco de hipertensão, arritmias, doença coronariana e eventos como infarto e AVC ao longo da meia-idade. A prática regular de atividade física ajuda a reduzir reatividade do cortisol e inflamação.

O que muda com o exercício

Pacientes que elevaram o nível de atividade entre 31 e 46 anos tiveram carga de estresse semelhante àqueles que já eram ativos desde o início. O efeito funciona como treinamento do sistema de resposta ao estresse, promovendo maior resiliência.

Entre os que reduziram a prática, os resultados de estresse permaneceram altos, próximos aos de indivíduos inativos. Ainda é necessário ampliar estudos para confirmar indicadores adicionais de estresse e autopercepção.

De modo geral, estudo sugere que sedentarismo e estresse estão ligados. O cardiologista ressalta que mover o corpo é uma intervenção simples e potente para proteger o coração e a saúde mental ao longo dos anos.

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