- Painel durante o São Paulo Innovation Week discutiu as dificuldades de transformar pesquisas científicas em negócios escaláveis, destacando o desafio de levar deep techs do laboratório ao mercado.
- Deep techs são startups baseadas em ciência e tecnologias de alta complexidade, com ciclos de desenvolvimento longos, alto volume de recursos e necessidade de expertise técnica.
- Participantes destacaram o “vale da morte”, etapa em que projetos deixam o ambiente acadêmico e precisam de financiamento estável, muitas vezes dependentes de editais públicos.
- O Brasil enfrenta escassez de capital privado para esse segmento, em contraste com mercados internacionais mais desenvolvidos, o que dificulta a conversão de tecnologia em receita.
- Discutiu-se a necessidade de aproximar pesquisa e negócio, promovendo política de inovação e internacionalização; no setor espacial, há dependência de contratos governamentais e busca por oportunidades no exterior. O Ceará foi citado como exemplo de iniciativas regionais ligadas à cadeia do hidrogênio verde.
Durante o São Paulo Innovation Week, nesta quinta-feira 14, aconteceu o painel Do laboratório ao mercado: o desafio das deep techs, voltado a entender as barreiras para transformar pesquisas em negócios escaláveis. O debate reuniu representantes do setor aeroespacial, investidores e empreendedores para discutir o caminho da pesquisa para o mercado.
Entre os participantes estavam Monica Vianna, diretora executiva da SOLLYTCH e Deep Tech Lab, presidente da Associação Fluminense de Startups de Ciência e Tecnologia; Raphael Jose Rodrigues Torres, diretor de negócios do Parque Científico e Tecnológico Augusto Severo; Luis Fellipe Alves de Oliveira, CEO da Safe on Orbit; e Eduardo Colombo, analista de space tech da 888 Hz. A conversa abordou financiamento, internacionalização e cultura de inovação no Brasil.
No relato de abertura, Colombo apontou que o Brasil ainda enfrenta dificuldades para conectar investidores privados a projetos científicos, destacando que o mercado internacional apresenta maior atuação nesse segmento. A percepção é de que o capital privado no país é limitado para deep techs.
Ao longo do painel, os participantes enfatizaram o chamado “vale da morte” entre pesquisa acadêmica e geração de receita. Torres ressaltou que muitos projetos dependem de editais públicos para abrir caminhos, dificultando a captação privada. Vianna destacou a necessidade de preparar o ecossistema para transformar ciência em negócio e ampliar a captação de recursos, especialmente visando mercados globais.
Para os participantes, a prática de aproximar pesquisadores da lógica empresarial é essencial. Colombo indicou que cientistas devem desenvolver competências de mercado ao longo do caminho, sem depender apenas de caminhos acadêmicos. A discussão incluiu ainda exemplos internacionais e iniciativas regionais, como ações no Ceará ligadas à cadeia do hidrogênio verde, vistas como referência para inovação e transferência de tecnologia.
O debate também abordou o setor espacial brasileiro, que ainda depende consideravelmente de contratos governamentais. Oliveira afirmou que governos podem ser bons clientes, mas é crucial buscar oportunidades junto a empresas privadas, para reduzir a dependência de políticas públicas. Ele relatou que a própria startup tem encontrado mais abertura entre investidores privados do que em programas de fomento.
A conversa encerrou com a ideia de consolidar tecnologias e a transferência de propriedade intelectual como caminho importante para atrair tanto o setor público quanto o privado, fortalecendo a viabilidade de soluções deep tech. O SPIW 2026 continua na capital paulista, reunindo entidades, empresas e governos para debater tendências em tecnologia, ciência e inovação.
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