- Ivanpah foi a maior usina de energia solar térmica do mundo, com 392 MW, 173.500 heliostatos e três torres de 137 metros, operando entre a Califórnia e Nevada desde 2014, em um projeto de US$ 2,2 bilhões financiado com empréstimo federal de US$ 1,6 bilhão.
- O calor concentrado pelos espeelhos incinerava aves que cruzavam as zonas de calor, com estimativas de mortalidade que variaram entre 3.500 e 6.000 aves por ano; a contagem exata era dificultada pela retirada de corpos por carniceiros.
- O fechamento não foi apenas pela morte de aves: questões econômicas e de desempenho pesaram. Em janeiro de 2025, a Pacific Gas & Electric encerrou contratos de compra de energia, citando que a solar térmica foi superada pela fotovoltaica. A usina gerou apenas quarenta por cento da energia prometida nos primeiros 15 meses e dependia de gás natural para aquecer caldeiras pela manhã. O fechamento foi antecipado em treze anos, de 2039 para 2026.
- O caso mostrou que escala e inovação não garantem viabilidade: a tecnologia de torre solar exige área enorme, manutenção complexa e condições climáticas específicas, enquanto a fotovoltaica ficou mais barata e eficiente.
- A energia solar térmica continua em uso em outras regiões, mas o caso Ivanpah ilustra desafios de custo, desempenho e aceitação ambiental para grandes projetos desse tipo nos Estados Unidos.
A usina Ivanpah, localizada no Deserto de Mojave, na fronteira entre Califórnia e Nevada, encerrou suas operações em 2026. Durante 12 anos, o empreendimento foi símbolo de inovação em energia, mas enfrentou falhas técnicas, custos elevados e controvérsias ambientais que não foram resolvidas. A decisão de fechar ocorreu em meio a questionamentos sobre a viabilidade da tecnologia de torre solar concentrada.
A instalação tinha capacidade bruta de 392 megawatts e ocupava mais de 3.500 acres com 173.500 heliostatos. Três torres de 137 metros de altura concentravam a luz para aquecer água e gerar vapor que movia turbinas. O projeto iniciou operações em 2014, após investimentos de 2,2 bilhões de dólares e um empréstimo federal de 1,6 bilhão.
Por que a usina foi controversa
Feixes de luz criavam zonas de calor extremo, causando queimaduras e até incineração de aves que cruzavam as torres. A fauna era atraída por insetos iluminados pela instalação, aumentando o risco para pássaros. Estimativas de mortalidade variaram de 3.500 a 28.000 aves por ano.
O fechamento não ocorreu apenas pela mortalidade de aves. Em janeiro de 2025, a Pacific Gas & Electric anunciou o fim dos contratos de compra de energia, alegando que a tecnologia solar térmica concentrada ficou menos competitiva frente à fotovoltaica, mais barata e simples de manter. A usina operava com gás natural para aquecer as caldeiras, prática que contrariava o conceito de energia limpa.
Efeitos financeiros e operacionais
Nos primeiros 15 meses de operação, Ivanpah entregou apenas cerca de 40% da energia prometida. A dependência de energia gasosa pela manhã, para compensar o insumo solar, comprometeu a redução de emissões prevista. O fechamento foi antecipado em 13 anos, antes do previsto para 2039.
O caso é citado como lição sobre grandes projetos de energia renovável. Escala e inovação não garantem viabilidade econômica. A torre solar concentrada requer áreas extensas, manutenção complexa e condições climáticas favoráveis, fatores que favoreceram a migração para a fotovoltaica.
O que significa para o setor
A saída de Ivanpah não encerra a tecnologia, mas sinaliza mudança de cenário nos Estados Unidos. Projetos de torre solar enfrentam hoje menor atratividade, enquanto regiões com maior radiação solar e custos menores continuam a explorar a tecnologia em larga escala. A experiência de Ivanpah evidencia a importância do planejamento tecnológico e econômico em grandes investimentos.
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