- Nepal translocará dezoito antílopes-cervídeos pretos (blackbucks) de Shuklaphanta National Park e da Blackbuck Conservation Area para o corredor florestal de Tikauli, próximo ao Chitwan National Park, para ampliar a presença da espécie.
- A operação, ainda sem data definida, contará com seis machos e doze fêmeas, em mix de jovens e subadultos, visando criar uma população segura em nova geografia e habitat.
- O local em Tikauli levanta preocupações: clima úmido de Chitwan, vegetação alta (até 4,5 metros) e maior risco de predação por tigres e leões, além da proximidade de rodovia e de área de descarte de lixo.
- A translocação ocorre em meio a um histórico de recuperação da espécie no Nepal, que já ultrapassou quinhentos indivíduos, mas ainda é criticamente ameaçada no país; a área planejada terá cerca de 20 hectares cercados, com monitoramento posterior.
- A prefeitura de Ratnanagar investiu recursos e infraestrutura, incluindo cercas elétricas, tanques, abrigos e torre de observação; especialistas ressaltam que o sucesso depende de preparação do habitat e monitoramento contínuo, não apenas da translocação.
Nepal planeja realocar antílopes-blackbuck para ampliar a população além de sua faixa atual, movendo 18 indivíduos de Shuklaphanta e da Blackbuck Conservation Area para a floresta corridor de Tikauli, próximo ao Parque Nacional de Chitwan. A translocação visa diversificar o habitat e aumentar a resiliência da espécie frente a doenças ou desastres.
Os animais serão encaminhados em parceria com o Departamento de Parques Nacionais e Conservação da Vida Selvagem (DNPWC). Serão 6 machos e 12 fêmeas, de origem do extremo oeste e sudoeste do país, respectivamente, misturando jovens e subadultos.
A iniciativa, segundo Haribhadra Acharya, ecologista sênior do DNPWC, deve ocorrer o quanto antes. O objetivo é estabelecer uma população em localização e habitat distintos, reduzindo riscos de extinção local.
Desafios ecológicos e predadores
Conservacionistas questionam a adequação de Tikauli, área de corredor florestal que faz parte da Barandabhar Corridor ligando Chitwan a reservas indianas. A presença de tigres e leopardos na região aumenta o risco de predação.
Especialistas destacam ainda que o pasto em Chitwan é alto, com gramíneas até 4,5 metros, o que pode limitar a alimentação e favorecer a predação. O clima úmido e sazonalmente chuvoso também é visto como desafio para uma espécie adaptada a áreas secas.
A prática de manter os animais em recinto de cerca de 20 hectares é vista como fase de adaptação. Avaliações de risco e monitoramento contínuo são considerados essenciais para evitar consequências negativas.
Antecedentes de conservação e custos locais
O Nepal já reviveu a população de blackbuck a partir de ações como a criação da Blackbuck Conservation Area em Bardiya (2009) e translocações para Shuklaphanta (2012-2015). Tais medidas elevaram o contingente para mais de 500 indivíduos.
Em Bardiya, houve incidentes de predadores que resultaram na morte de dezenas de animais, fomentando debates sobre o sucesso das translocações. Estudos sugerem que a eficácia depende da sobrevivência, reprodução e expansão da população no ambiente selvagem.
Ratnanagar Município, responsável pela área de Tikauli, investiu em infraestrutura para a translocação, incluindo cercas elétricas alimentadas por energia solar, lagoas, abrigos de alimento e manejo de vegetação. O local deverá abrigar uma torre de observação para turismo educativo.
Perspectivas futuras e monitoramento
Autorizados pela administração local, os gestores estudam medidas para evitar que predadores alcancem a cerca de contenção, como elevar barreiras, poda de galhos e avaliação completa de riscos. A área também está próxima a uma usina de resíduos, o que levanta preocupações sobre perturbação ambiental.
Especialistas ressaltam que o turismo não deve impulsionar a translocação, devendo ser um benefício secundário apenas após a consolidação da população no habitat natural. O monitoramento demográfico e ecológico é considerado indispensável para medir o sucesso da iniciativa.
O DNPWC afirma que o projeto é uma etapa inicial para ampliar a presença do blackbuck no cenário nacional. A expectativa é que o experimento forneça lições para futuras ações de restauração de populações em outros parques e áreas protegidas.
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