- A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (Noaa) estimou 37% de chance de o El Niño de 2026 alcançar intensidade muito forte entre novembro de 2026 e janeiro de 2027.
- Caso isso ocorra, pode haver secas no Norte e no Nordeste e chuvas mais intensas no Sul do Brasil.
- A Noaa aponta 82% de probabilidade de o fenômeno surgir entre maio e julho de 2026 e 96% de persistir entre dezembro de 2026 e fevereiro de 2027.
- As previsões seguem incertas, dependentes do acoplamento entre oceano e atmosfera para confirmar a intensidade.
- Os impactos regionais podem variar, com redução de chuvas no Norte, alterações no Sudeste e chuvas acima da média no Sul, conforme a força do El Niño.
A NOAA, agência climática dos EUA, informou que há 37% de chance de o El Niño de 2026 atingir intensidade muito forte entre novembro de 2026 e janeiro de 2027. Caso se confirme, o fenômeno pode elevar o risco de seca no Norte e Nordeste do Brasil e provocar chuvas mais intensas no Sul.
A previsão depende do acoplamento entre oceano e atmosfera. A NOAA aponta que os eventos mais fortes exigem que o aquecimento das águas do Pacífico influencie de forma contínua ventos, nuvens e padrões de chuva na região equatorial. A possibilidade de um El Niño muito forte, embora não garantida, está entre as cenários considerados pela instituição.
O que a NOAA aponta
- 82% de chance de o fenômeno surgir entre maio e julho de 2026;
- 96% de probabilidade de ele persistir entre dezembro de 2026 e fevereiro de 2027.
A agência acrescenta que, no boletim mensal, nenhuma categoria isolada de força supera 37% no momento.
Implicações para o Brasil
Segundo nota técnica de abril de 2026, envolvendo o Inpe e o Inmet, o El Niño pode provocar impactos regionais distintos. No Norte, pode haver redução de chuvas e alongamento da seca, com risco de incêndios e impactos à navegação e à geração hidrelétrica.
No Nordeste, há maior probabilidade de chuvas abaixo da média, associadas a temperaturas mais altas, elevando o estresse hídrico.
No Centro-Oeste, espera-se aquecimento e possível aumento de queimadas; em episódios fortes, algumas áreas podem ter chuvas um pouco mais regulares em Mato Grosso do Sul e parte de Goiás.
No Sudeste, as chuvas devem variar por área: algumas regiões podem ter mais precipitação, enquanto outras podem enfrentar redução, com risco de veranicos e ondas de calor.
Na Sul, o cenário tende a incluir chuvas acima da média, mas há possibilidade de eventos extremos envolvendo inundações, devido ao aumento da umidade e a sistemas climáticos convectivos.
Contexto técnico
O El Niño envolve o aquecimento anormal das águas no Pacífico central e oriental e integra o conjunto Enos. Em termos práticos, altera padrões de chuva e temperatura globais. A Organização Mundial de Meteorologia aponta que episódios costumam durar de 9 a 12 meses, com impactos variáveis conforme a intensidade e a interação com outros sistemas climáticos locais.
Medição e classificação
A avaliação da NOAA utiliza o índice RONI, que mede a temperatura da superfície do mar na região Niño 3.4. Para caracterizar El Niño, o índice considera faixas que vão de fraco a muito forte, com o patamar de muito forte definido por anomalia de 2,0°C ou mais. A probabilidade de atingimento do patamar superior muda conforme o tempo e as condições oceânicas e atmosféricas.
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