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Solo vivo reforça expressão do terroir em vinhos

Sol vivo é essencial para o terroir: especialistas debatem regeneração do solo, impactos climáticos e práticas vitícolas sustentáveis

Peyrassol
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  • O solo vivo é visto como determinante para a qualidade do terroir e dos vinhos, com 60 a 70% dos solos europeus considerados degradados e a química do solo influenciando aromas e tipicidade.
  • Historicamente, após a Segunda Guerra Mundial o uso de fertilizantes sintéticos aumentou os rendimentos, mas houve questionamentos sobre a saúde do solo, levando a mudanças em práticas agrícolas.
  • Na viticultura, surgem diferentes abordagens: convencional, biológica e biodinâmica, com debates sobre manejo de ervas, uso de cobre, enraizamento de plantas e impactos no solo.
  • Soluções atuais e futuras envolvem enriquecimento do solo, uso de micro-organismos locais, biocontrole e agricultura de conservação; casos como Château Galoupet mostram foco na regulação ambiental e melhoria da vida do solo. Também há preocupação com o cadmínio em fertilizantes fosfatados.
  • Perguntas sobre regulamentação e reconhecimento do solo são discutidas, incluindo a ideia de estatuto jurídico do solo e a importância de políticas públicas que valorizem a biodiversidade e a resiliência dos ecossistemas vitícolas.

O solo vivo é apresentado como elemento-chave para a qualidade do vinho, segundo um debate que reúne o ex-ministro Julien Denormandie, a cofundadora Laurence Berlemont e o diretor de Château Galoupet, Mathieu Meyer. O tema volta às pautas centrais da viticultura atual e da regeneração de solos.

O debate aborda como o solo influencia o terroir e, por consequência, o caráter de cada vinho. Denormandie defende a ideia de que a história humana envolve a dominação da natureza, mas aponta para a necessidade de renovar práticas e valorizar o solo vivo. Berlemont ressalta que a revolução dos solos começou após a segunda guerra, com uso intensivo de adubos que degradaram a vida do solo. Meyer enfatiza que um solo fértil propicia vinhos de terroir mais autênticos.

Os participantes explicam o que é um solo vivo. Denormandie destaca a vida ali presente, a massa orgânica e os minerais que interagem para moldar o perfil do vinho. Berlemont alerta que solos degradados forçam os viticultores a compensar com insumos externos, afetando a tipicidade. Meyer acrescenta que a riqueza do solo se reflete nas moléculas orgânicas e nos micro-organismos que chegam às uvas e ao vinho.

Sobre impactos da viticultura, Berlemont descreve trajetos históricos, incluindo a transição para agricultura orgânica e biodinâmica e os efeitos do manejo do solo, da água e dos tratamentos. Denormandie associa mudanças climáticas a desafios como seca e geadas, lembrando episódios de frio em 2021 que impactaram a vinha. Meyer aponta que o setor busca resiliência diante de choques climáticos e de crises de insumos.

Medidas para regenerar o solo são discutidas em conjunto. Denormandie cita a busca por técnicas de seleção de plantas resistentes e a importância de enriquecer o solo com microrganismos locais, sem depender de intervenções artificiais. Berlemont defende uma abordagem multidisciplinar, que combine conhecimentos de agroecologia, biocontrole e agricultura de conservação. Meyer reforça a necessidade de práticas que promovam raízes profundas e diversidade biológica.

Sobre políticas públicas e regulamentação, os convidados debatem a viabilidade de um estatuto jurídico do solo e a importância de labels ou incentivos. Denormandie defende a ideia de reconhecer o solo como recurso que merece proteção, mas alerta para riscos de frear o desenvolvimento urbano. Berlemont ressalta que leis devem evoluir com a ciência, para não perderem eficácia. Meyer aponta para a necessidade de transparência e de resultados comprováveis.

O trio discute ainda o papel da viticultura como laboratório para a agricultura. O tema envolve cadmio e outros contaminantes, destacando a urgência de reduzir fósseis e melhorar o manejo de fertilizantes. Diversas soluções são citadas: rotação de culturas, cobertura do solo, uso de microrganismos locais, biochar e manejo de pragas sem destruir a microbiota. A conversa reforça que o caminho é múltiplo e adaptado a cada terroir.

Em síntese, o debate sustenta que trazer o solo de volta à vida não é apenas uma questão ambiental, mas uma estratégia de qualidade e sustentabilidade para a produção de vinhos de identidade forte. O consenso é a necessidade de ações integradas, com evidências e inovação contínua.

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