- A BYD anunciou o Xuanji A3, seu chip de direção inteligente de 4 nanômetros, com 700 TOPS por unidade e 2.100 TOPS em trio, prometendo consumo cerca de 20% menor que o de concorrentes.
- O chip será usado principalmente pela BYD para atender a demanda própria, não sendo previsto venda a concorrentes.
- A empresa investe cerca de 100 bilhões de yuans em pesquisa e desenvolvimento, dentro de um movimento estratégico de autossuficiência tecnológica diante de controles dos EUA sobre chips avançados.
- O sistema de direção autônoma Tianshen deve chegar ao Brasil em 2027, ampliando o leque de modelos compatíveis e incluindo um centro de P&D no Rio de Janeiro e um data center local.
- A BYD também apresentou um assistente de inteligência artificial no painel, além de seguro e indenização para acidentes envolvendo o sistema autônomo em veículos da marca.
A BYD revelou em Shenzhen, na China, o Xuanji A3, seu próprio chip de direção autônoma produzido em processo de 4 nanômetros. A empresa informou que o chip permite visão ambiente, detecção de pedestres e sinais, e tomada de decisão em tempo real, sem intervenção humana.
O conjunto do chip entrega até 700 TOPS por unidade e, com três módulos em conjunto, chega a 2.100 TOPS. A BYD afirma que o consumo é aproximadamente 20% menor que o de concorrentes, o que pode ampliar a autonomia de veículos elétricos.
Stella Li, executiva da BYD, indicou que o objetivo é abastecer as demandas da própria produção, sem a pretensão de vender o chip para terceiros. O projeto integra o orçamento de P&D da empresa, estimado em 100 bilhões de yuans, sem detalhar custos específicos.
Tecnologia e autossuficiência
A BYD passa a figurar como uma das montadoras com capacidade de fabricação de chips de ciclo completo, incluindo arquitetura, design, fabricação de wafers e packaging. A estratégia busca reduzir dependência de fornecedoras externas, como Nvidia, diante de controles americanos sobre exportações.
A decisão ocorre em meio a uma ofensiva chinesa por maior independência tecnológica em semicondutores, alinhada a pressões locais para ampliar a produção doméstica de componentes avançados. Dados públicos indicam que a TSMC cercou o mercado com participação dominante, influenciando cadeias de suprimento globais.
Brasil como palco de expansão
Além do desenvolvimento de hardware, a BYD confirma o desembarque do sistema de direção autônoma Tianshen no Brasil em 2027. O fornecedor planeja ampliar o uso do sistema para modelos não premium, com suporte aos níveis L3 e L4.
O projeto brasileiro inclui um centro de inovação e P&D no Rio de Janeiro e um data center local, com investimento de cerca de R$ 300 milhões e área de aproximadamente 183 mil m². A unidade funciona como base para testes e avaliação automotiva.
A BYD também apresentou um novo agente de inteligência artificial integrado ao painel, capaz de comandos por voz e toque para ajustes internos e fornecer informações de trânsito e clima em tempo real. Em China, a empresa ofereceu seguros para acidentes envolvendo veículos com o sistema autônomo, cobrindo custos quando falhas são atribuídas aos sistemas.
Entre na conversa da comunidade