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Falta de preparo de médicos e idadismo dificultam mulheres na menopausa

Falta de preparo de médicos e o idadismo dificultam cuidados durante a menopausa, elevando riscos de saúde e impactos emocionais nas mulheres

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  • Até 2030, a Organização Mundial da Saúde estima que 1,2 bilhão de mulheres estarão na pós-menopausa.
  • A menopausa eleva riscos de osteoporose e fraturas, além de afetar o sistema cardiovascular, urogenital, metabolismo, e a saúde cognitiva e emocional.
  • Profissionais de saúde muitas vezes mostram preparo inadequado para a menopausa, tratando o tema como se fosse apenas “a idade”.
  • Existem iniciativas globais de educação e diretrizes, como campanhas no Reino Unido e ações da Sociedade Brasileira de Climatério no Brasil.
  • O tratamento varia e pode incluir terapia hormonal, antidepressivos, gabapentina e medidas de estilo de vida, com decisões personalizadas segundo riscos e benefícios.

A menopausa é uma fase natural do envelhecimento feminino, marcada pelo fim da fertilidade após 12 meses sem menstruação. O tema envolve mudanças hormonais, físicas e emocionais que impactam a saúde e a rotina das mulheres. No entanto, o tema ainda enfrenta estigma e subestimação social.

A população mundial envelhece, elevando o número de mulheres que vivenciam a pós-menopausa. Estima-se que até 2030 haja aproximadamente 1,2 bilhão de mulheres nessa condição, segundo a OMS. No Brasil, as mudanças hormonais trazem riscos como osteoporose e alterações cardiovasculares.

Egídio Dorea, médico da USP, ressalta que a menopausa vai além de ondas de calor. Segundo ele, exige atenção médica contínua, com foco em saúde óssea, cardiovascular e bem-estar psicológico. O especialista enfatiza a necessidade de manejo multidisciplinar.

Envelhecimento populacional

O achatamento da densidade óssea aumenta o risco de fraturas por fragilidade. O Ministério da Saúde aponta que uma em cada três mulheres acima de 50 anos pode sofrer uma fratura. Além disso, alterações metabólicas afetam o peso e o risco cardiovascular.

A saúde cognitiva também é impactada. Dorea cita relatos de dificuldade de concentração e lapsos de memória. A queda de estrogênio envolve áreas do cérebro ligadas à memória e ao processamento, exigindo avaliação de menopausa versus demência.

Alterações emocionais são comuns, com irritabilidade, ansiedade ou depressão. Têm base hormonal e não devem ser confundidas com crises de meia-idade. O acompanhamento médico ajuda a diferenciar sintomas transitórios de condições que exigem tratamento.

Falta de preparo

Apesar do alcance da condição, muitos profissionais de saúde mostram despreparo para lidar com a menopausa. Estudos citados por Dorea apontam questões de formação, tabus culturais e pouca integração entre especialidades.

A carência de atuação multidisciplinar dificulta o acesso a informações e tratamentos adequados. Ginecologia, cardiologia e psicologia precisam trabalhar juntas para orientar cada caso, conforme as necessidades individuais.

Terapias e caminhos

Países adotam abordagens diferentes para apoiar as mulheres nessa fase. No Reino Unido, campanhas públicas e diretrizes do NHS promovem educação sobre menopausa. No Brasil, iniciativas da Sociedade Brasileira de Climatério já ganham espaço.

A terapia hormonal é a opção mais eficaz para sintomas vasomotores e atrofia urogenital, devendo ser personalizada conforme riscos como trombose e câncer de mama. Alternativas não hormonais incluem ISRS, gabapentina e lubrificantes vaginais.

Mudanças de estilo de vida também ajudam: atividades físicas, dieta rica em cálcio, vitamina D e ômega-3, além de técnicas de relaxamento como yoga e meditação. Cada mulher deve discutir benefícios e riscos com o médico.

Sob supervisão de Cinderela Caldeira e Paulo Capuzzo

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