- Cambódia planeja a introdução de tigres de Bengala vindos da Índia para a região das montanhas Cardamom, após ter sido considerado extinto em 2016 no país.
- Perguntas incluem se é adequado trazer um animal não nativo, se houve consulta às comunidades locais e se o habitat é suficiente para sustentar os tigres.
- Prevenção de manejo: estudo aponta risco de falta de presas suficientes para uma população viável, com destaque para importância de porcos selvagens na dieta.
- O local de reintrodução é o Parque Nacional Kravanh, em área de cerca de 926 mil hectares, onde há pressões como desmatamento, extração de madeira e construção de represas.
- O cronograma é incerto: não houve transferência até o momento, há necessidade de financiamento adicionais, e plano de liberação gradual em enclosure de cerca de 40 hectares, com participação comunitária ainda a ser alinhada.
Sat Born, morador da vila Trapeang Chheu Trav, relembra o encontro com um tigre em 2001, aos 9h, na entrada da mata nas Montanhas Cardamom, no sudoeste do Camboja. O homem hoje cultiva bananas e durians e descreve a visão como impressionante e assustadora.
Em 2007, a última aparição confirmada de tigres no Camboja foi registrada por armadilhas fotográficas. Na década de 1990, o país tinha estimativas de centenas de tigres-do Indochina, mas a pressão de caça os levou à extinção formal em 2016.
Um reingresso de um pequeno grupo de tigres de Bengala hospedados na Índia está em pauta, com o objetivo de serem introduzidos na mata das Cardamom. A ideia levanta dúvidas sobre a procedência, consultoria às comunidades locais e adaptação ao novo ambiente.
Críticas destacam o risco de trazer uma espécie não nativa, o possível impacto sobre o ecossistema e a convivência com a população local. Também se questiona se há presas suficientes para sustentar os animais e como lidar com predadores que possam atacar animais de criação.
O plano envolve a transferência de tigres de Bengala ao Parque Nacional Kravanh, área de 926 mil hectares, como parte de uma rede de reservas. O projeto tem apoio de instituições indianas e de organizações de conservação locais, mas detalhes sobre o tamanho do fundador variam entre fontes.
Especialistas afirmam que a disponibilidade de presas é determinante para a sobrevivência de tigers. Estudos indicam que, sem uma base de caça adequada, liberar tigres em florestas com baixa densidade de presas é arriscado para a viabilidade de longo prazo.
A discussão sobre o tipo de tigre a ser transferido envolve polêmicas sobre subspecies. Embora haja divergências científicas, alguns especialistas sustentam que a reintrodução deveria usar o mesmo conjunto genético da região, para evitar riscos de inbreeding e manter diversidade genética.
Preocupações com a caça, armadilhas e construção de barragens também aparecem. A população local teme impactos na fauna e no sustento econômico baseado na floresta, como caça de animais silvestres e coleta de resinas e frutos.
Autoridades locais dizem que o foco imediato é fortalecer a fiscalização, reduzir armadilhas e restaurar presas antes da translocação. Questiona-se ainda o cronograma, já que o acordo de 2022 com a Índia previa a chegada dos tigres ao fim de 2025, prazo não cumprido até o momento.
O custo estimado do projeto é de cerca de 43 milhões de dólares nos primeiros cinco anos. A administração busca novos financiadores, mantendo a estratégia de liberação suave, com os felinos em um recinto de aproximadamente 40 hectares até ganharem autonomia.
Comunidades do Cardamom, entrevistadas pela imprensa, mostram diferentes percepções. Alguns moradores expressam preocupação com ataques a animais de criação e a necessidade de informações claras sobre áreas de manejo. Outros afirmam que a convivência pode ser possível com planos de mitigação, como seguro para perdas e sistemas de alerta.
Apesar das incertezas, há quem celebre a possível volta dos tigres. Alguns moradores veem no retorno dos felinos um marco ambiental e educativo para as futuras gerações, desde que haja cooperação entre autoridades, organizações e comunidades locais. Resta saber quando a primeira liberação acontecerá e como será a convivência na prática.
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