- O Havaí busca atingir 100% de eletricidade renovável até 2045 e descarbonizar a economia, reduzindo a dependência de combustíveis fósseis importados.
- O estado, sem reservas nacionais, depende de petróleo importado para energia e transporte, além de receber quase dez milhões de turistas por ano.
- Desafios incluem a densidade populacional de Oahu, necessidade de modernizar a rede, e investimentos privados para ampliar renováveis e armazenamento; Maui enfrenta dificuldades após o furacão de 2023.
- A energia geotérmica é considerada crucial, com planos de expansão de até vinte por cento até o fim de 2026, além de maior uso de solar, eólica e biomassa.
- Como opção de transição, há debates sobre gás natural liquefeito para substituir óleo, enquanto impostos atuais já financiam a descarbonização; o relatório aponta que baterias e renováveis precisam crescer para reduzir custos.
O Havaí busca reduzir a dependência de combustíveis fósseis para alimentar sua rede elétrica e o transporte, com a meta de 100% eletricidade renovável até 2045. O arquipélago importa grande parte de sua energia e é fortemente dependente de petróleo para a rede, transporte e turismo.
Desde 2015, o estado avançou rumo à autossuficiência energética, adotando metas de descarbonização. Em 2018, expandiu o objetivo para reduzir emissões líquidas a zero até 2045, incluindo o transporte como parte dessa transição.
A motivação é estratégica: diminuir a vulnerabilidade a choques de preço e oferecer energia com menos emissões. Pesquisadores destacam que isso reduziria a dependência de energia importada para o conjunto da economia.
Desafios à transição
A densidade populacional e a limitação de espaço dificultam a descarbonização de Oahu, onde fica Honolulu. Autoridades priorizam modernização da rede, geração mais eficiente e grande investimento privado em renováveis e armazenamento.
Em Maui, incêndios causados pela forte perturbação de linhas de transmissão após o furacão de 2023 complicam a transição. A Hawaiian Electric, maior concessionária, enfrenta o desafio de manter custos baixos na transição para energia limpa.
Mesmo com boa participação de solar e eólica, e com metade das casas de Oahu com painéis, a energia geotérmica exige maior participação na matriz, segundo especialistas. A geotermia já forneceu picos de cerca de 30% na Ilha do Havaí em 2017.
Na Ilha do Havaí, a geotermia se destacou, mas uma erupção vulcânica reduziu a produção. Autoridades planejam ampliar a capacidade geotérmica em 20% até o fim de 2026, visando maior suporte à demanda local.
Descarbonização do transporte é um obstáculo adicional, especialmente no turismo. A aviação representa desafio para reduzir emissões e alcançar metas, ainda que haja avanços em eficiência e em biocombustíveis sustentáveis.
Caminhos para a descarbonização
Em 2022, o estado aprovou lei que determinou ao escritório de energia analisar caminhos para as metas econômicas de descarbonização. Um relatório avaliou cenários com forte expansão de solar, eólica e armazenamento.
A transição exigiria eliminação gradual de veículos a combustão, com substituição por elétricos de emissão zero, além de modernizar edifícios para melhorar eficiência. O relatório aponta necessidade de mais biodiesel, biomassa, geotermia e hidrelétrica.
Também consta a possibilidade de imposto sobre carbono para acelerar a redução de combustíveis fósseis, elevando preços do petróleo e do gás. Hoje, tributos já financiam programas de descarbonização.
A importância da energia geotérmica
O imposto de carbono poderia estimular o desenvolvimento geotérmico, visto como a principal aposta para energia doméstica limpa. A geotermia aproveita calor subterrâneo para gerar energia com emissões zero.
Glick afirmou que o estado está caracterizando os recursos geotérmicos para entender onde implantar, respeitando valores culturais e interesses comunitários. A viabilidade pode depender de aceitação local em Oahu.
Especialistas veem potencial da geotermia onde é mais necessária. Se houver viabilidade, isso poderia mudar o equilíbrio da matriz energética, ampliando o uso dessa fonte.
Custos e exploração também são fatores. Investimentos na fase exploratória são altos, e análises locais são cruciais pela resistência de comunidades nativas à exploração de áreas vulcânicas sagradas.
Obstáculos às renováveis e apelos ao GNL
Diante de dificuldades de ampliar a geotermia nos próximos 20 anos, o governo tem considerado combustíveis de transição de menores emissões. Uma opção seria substituir geradores a óleo por unidades a gás natural liquefeito importado.
A usina a gás mais moderna reduziria emissões em até 20% ao longo de 20 anos e custaria menos que a energia gerada a partir de petróleo, que hoje ancora a tarifa elétrica mais alta dos EUA.
Glick diz que o GNL poderia facilitar a integração de renováveis na rede. Ainda assim, especialistas lembram que resfriamento, transporte e regaseificação elevam custos e riscos.
Se as renováveis se expandirem com armazenamento, as usinas a gás podem tornar-se menos competitivas. Soluções de solar e baterias já competem com fósseis, reduzindo dependência de mercados globais de combustível.
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